quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Ensino em Roma
O ensino em Roma apresenta algumas diferenças significativas face ao modelo educativo dos gregos e algumas novidades importantes na institucionalização de um sistema de ensino.
O ensino da música, do canto e da dança, peças chave da educação grega, tornaram-se objecto de contestação por parte de alguns sectores mais tradicionais, que apelidaram estas formas de arte como impúdicas e malsãs, toleráveis apenas para fins recreativos.
A mesma reacção de oposição surge contra o atletismo. Jamais fazendo parte dos costumes latinos, as competições atléticas só penetram em Roma por volta do século II a.c., sob a forma de espectáculos, e sendo a sua prática reservada a profissionais. Os romanos chocam-se com a nudez do atleta. Optam assim pelas termas em detrimento do ginásio, que consideram exclusivamente um “jardim de recreio” ou um “parque de cultura”.
O Programa educativo romano privilegia assim uma aprendizagem sobretudo literária, em detrimento da Ciência, da Educação Musical e do Atletismo.
Porém, é aos romanos que se deve o primeiro sistema de ensino de que há conhecimento: um organismo centralizado que coordena uma série de instituições escolares espalhadas por todas as províncias do Império. O carácter oficial das escolas e a sua estrita dependência relativamente ao estado constituem, não apenas uma diferença acentuada relativamente ao modelo de ensino na Grécia, como também uma novidade importante.
É claro que um tal sistema tende a privilegiar uma minoria que, graças aos estudos superiores, ascende àquilo que os romanos consideram ser a vida adulta simultaneamente activa e digna ou seja, uma elite, com uma elevada formação literária e retórica.
O que não impede que, entre a imensidão de escravos que os romanos abastados do Império possuíam como resultando das suas conquistas, houvesse a preocupação de lhes fornecer, em particular aos mais jovens, os ensinamentos necessários à prática dos seus serviços. Para tal eram reunidos, nas casas de seus amos, em escolas – as paedagogium - ae entregues a um ou mais pedagogos que lhes inculcavam as boas maneiras e, em alguns casos, os iniciavam nas “coisas do espírito”, designadamente na leitura, na escrita e na aritmética. É sabido que as casas dos grandes senhores de Roma dispunham de um ou mais escravos letrados que desempenhavam funções como secretários ou como leitores.
De qualquer forma, na Roma imperial, os Mestres Gregos são protegidos por Augusto, à semelhança do que César havia já feito. Também a criação de bibliotecas, como a do Templo de Apolo, no Palatino, e a do Pórtico de Octávio, é ilustrativa de uma política imperial de cultura.
Esta política, inspirada nas tradições gregas, vai no entanto inflectir algumas práticas anteriores, delineando no estado romano um conjunto de políticas escolares inovadoras. Uma primeira iniciativa é da autoria de Vespasiano, que intervém directamente a favor dos professores, ao reconhecer-lhes uma utilidade social. Com ele se iniciam uma extensa série de retribuições e de imunidades fiscais, atribuídas a gramáticos e retóricos. Segue-se a criação de cátedras de Retórica nas grandes cidades, bem como o favorecimento e promoção da instituição de escolas municipais de gramática e de retórica nas províncias.

domingo, 15 de novembro de 2009

A propósito dos divertimentos em Roma, vejam este powerpoint sobre os gladiadores.

GLADIADORES: TIPOLOGÍA Y REPRESENTACIÓN EN LA HISTORIA DEL ARTE

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Roma e os seus divertimentos


Quando Augusto assumiu o poder, o calendário romano tinha setenta e seis dias de descanso, quase tantos como hoje; quando o seu último sucessor desapareceu, tinha cento e setenta e cinco, ou seja, dia sim, dia não, era dia de descanso. Nesses dias, celebravam-se os ludos cénicos e os jogos atléticos.
Os ludos cénicos já não eram o drama clássico, pomposo e solene, que se extinguira, após uma época breve, com muito mais rapidez do que levara a nascer. Há qualquer coisa no ar, não só de Roma, mas de toda a Itália, que o torna alérgico ao teatro. Um público grosseiro, composto em grande parte de estrangeiros que conheciam apenas o latim elementar, preferia a pantomima, em que o enredo se torna evidente, não através da palavra, mas do gesto e da dança. Formou-se nessa altura aquela tradição do “exibicionista” grosseiro, vulgar, que aguça os olhos, que faz caretas e gesticula, no qual os nossos actores ainda se inspiram.
Esopo e Róscio eram as vedetas daquele tempo - , que cometiam extravagâncias para fazerem publicidade a si mesmos, levavam as plateias ao delírio com os seus sketches ordinários e cheios de duplos sentidos; tornaram-se nos janotas dos salões aristocratas, tornavam-se amantes das damas que davam mais nas vistas, ganhavam rios de dinheiro. Agora, na sua companhia, tinham também mulheres, as girls da época, que, por causa desta profissão, eram oficialmente equiparadas às prostitutas, e por isso nada tinham a perder em questões de pudor, contribuindo sem qualquer reserva para a obscenidade dos espectáculos.
O desejo do aplauso levava por vezes estes intérpretes a representar cenas cheias de alusões políticas, nas barbas da censura, como sempre acontece nos regimes de tirania, quando ninguém se atreve a dizer nada, mas todos ficam extasiados com quem o faz.
Enquanto que o teatro descambava assim na revista de variedades, a sorte do Circo cada vez crescia mais. Cartazes de parede anunciavam os espectáculos atléticos. Estes constituíam o assunto do dia, discutia-se apaixonadamente a respeito disso em família, na Escola, no Fórum, nas Termas no Senado…
No dia das competições, multidões de cento e cinquenta ou duzentas mil pessoas dirigiam-se para o Circo Máximo, como vão hoje para o Estádio, os homens fazendo uma paragem, antes de entrar nos bordéis que estavam alinhados ao lado das entradas. Os dignitários tinham camarotes à parte, com assentos de mármore e ornados de bronze. Os outros acomodavam-se em bancadas de madeira. O imperador tinha mesmo, para si e para a sua família, um apartamento com quartos de cama, para dormir uma soneca entre duas competições, e a imprescindível casa de banho.
Tal como hoje os cavalos e os jóqueis pertenciam as escuderias particulares, cada uma com a sua própria casaca, as mais famosas das quais eram as vermelhas e as verdes. As corridas a galope alternavam com as corridas a trote, com dois, três, ou quatro cavalos. Quase todos escravos, os condutores usavam capacetes de metal, segurando numa mão as rédeas e na outra o chicote, e a tiracolo uma faca, para cortar os arreios em caso de queda.
Mas os números mais esperados eram as lutas gladiatórias: entre animal e animal, entre animal e homem, e entre homem e homem. No dia em que Tito inaugurou o Coliseu, Roma arregalou os olhos de espanto. Uma galeria de mármore destinava-se aos altos dignitários, e ao meio erguia-se o suggestum, ou galeria imperial, onde o imperador e a imperatriz se sentavam em tronos de marfim. Qualquer um se podia aproximar do soberano e suplicar uma pensão, uma transferência, o perdão para uma condenação. Tudo era grátis; entrada, assento, almofada, assado, vinho.
O primeiro número foi a apresentação de animais exóticos, muitos dos quais os Romanos nunca tinham visto. Entre elefantes, tigres, leões, leopardos, panteras, ursos, linces, etc. Depois seguiu-se o combate: leões contra tigres, tigres contra ursos, leopardos contra lobos. Resumindo, no final do espectáculo, só metade daqueles pobres animais estava viva. Seguiu-se a corrida de touros. Os toureiros não conheciam o oficio e, portanto, estavam destinados a morrer. De facto, eram escolhidos entre os escravos e os condenados, como, de resto, todos os outros gladiadores. Muitos deles nem chegavam a combater. Tinham que representar qualquer personagem da mitologia e sofrer de verdade o seu trágico fim. Para reavivar a propaganda patriótica, um era apresentado como Múcio Cévola e era obrigado a queimar as mãos nos carvões, outro como Hércules queimado vivo na pira, outro como Orfeu, despedaçado enquanto tocava a lira. Enfim, pretendiam ser espectáculos “edificantes” para a juventude, e como tal não eram, de facto, proibidos aos menores de dezasseis anos; muito pelo contrário.
Seguiam-se os combates entre gladiadores, todos condenados a penas capitais por homicídio, roubo, sacrilégio, ou amotinação, que eram os delitos a que era aplicada a pena de morte. No entanto havia também voluntários, e nem todos de baixa condição, que se inscreviam nas escolas apropriadas para depois combater no Circo. Eram talvez as escolas mais sérias e rigorosas de Roma. Entrava-se para elas quase que como para o seminário, depois de jurar que se estava pronto a deixar-se “chicotear, queimar e apunhalar “. Os gladiadores tinham, em cada combate, uma probabilidade em duas de se tornarem heróis populares.





Bibliografia: MONTANELLI, Indro, História de Roma, da fundação à queda do Império, Edições 70.

domingo, 1 de novembro de 2009


OCTÁVIO CÉSAR AUGUSTO
Nascido em Nola (Campânia), a 24 de Setembro do ano 63 a.C., Caio Octávio era filho de um senador com o mesmo nome, que se distinguira como governador da Macedónia e que recebera o cognome de “Turino”, por ter esmagado uma revolta de escravos na região do Túrio. Embora de origem modesta – os Octávios eram uma família “burguesa” de Veletri, no Lácio – Caio Octávio Turino ascendeu rapidamente na política romana, a que não será alheio o facto de ser casado com Átia, sobrinha de César. Mas a sua morte prematura, em 58 a.C., impediu-o de atingir o consulado. Átia casou de seguida com o senador Lúcio Márcio Filipe, o que fez com que os filhos de Octávio Turino, Caio Octávio e Octávia, ficassem doravante sujeitos a um novo pater familias. Mas César, que cedo se apercebera das capacidades intelectuais do sobrinho, acabou por adoptar Octávio quando este completou 18 anos de idade (45 a.C.). Passou então a chamar-se Caio Júlio César Octaviano, tornando-se herdeiro do nome e da vastíssima fortuna do ditador. Depois de combater em Espanha sob a ordens do pai adoptivo, na vitoriosa campanha contra os filhos de Pompeu (45 a.C), Octávio foi enviado para o Epiro (moderna Albânia), para tratar dos preparativos da anunciada campanha de César contra os Partos. E foi lá que, na sequência dos Idos de Março de 44 a.C., recebeu a notícia do assassinato do pai adoptivo, às mãos dos conspiradores liderados por Bruto. Regressado a Itália, reclamou a sua herança e, com grande astúcia e habilidade, conseguiu o apoio e a adesão dos veteranos de César à sua causa. A sua juventude e aparente ingenuidade enganou os adversários políticos, que julgavam estar a servir-se dele, quando acontecia precisamente o contrário. Em cartas aos amigos, Cícero confessava que o jovem César (Octávio) era facilmente manipulável. E, na verdade, o astuto jovem queria fazer crer que assim era; de modo que, quando Cícero e António se aperceberam do quanto estavam enganados a seu respeito, era já tarde demais para que se pudessem livrar dele. Entretanto, os conspiradores dos Idos de Março foram obrigados a fugir para o Oriente. António, Octávio e Lépido formaram o chamado “segundo triunvirato” – que, ao contrário do primeiro, assumia existência legal – para vingar a morte de César e restabelecer a ordem. Os dois partidos recrutaram exércitos e prepararam-se para o confronto final entre republicanos e cesaristas: e em Philipos (na parte europeia da actual Turquia), em 23 de Outubro de 42 a.C., a causa de Bruto e Cássio foi definitivamente perdida. Octávio ficou muito mal visto por não ter tomado parte no combate, a pretexto de uma febre; António ficou assim com os louros da vitória, certo de que seria ele o sucessor de César. Vencidos os republicanos, procedeu-se à divisão do Império: António ficou com o Oriente, onde estavam as províncias mais ricas; Lépido com a Sicília e Octávio com o resto do Ocidente. Sexto, filho do grande Pompeu, dominava ainda o mar e grande parte da Hispânia. Entretanto, os triúnviros decretaram proscrições: milhares de cidadãos foram executados e os seus bens confiscados. Octávio ficou algo mal visto, nestes seus primeiros anos de governo; Suetónio conta que certa altura, perante um pedido de clemência de um proscrito, o jovem triúnviro respondeu friamente: “É preciso morrer”. Cícero, o velho orador, foi um dos condenados à morte, entre muitos outros senadores e equites. Estas proscrições acabaram de vez com muitas famílias da velha aristocracia, que há séculos governava Roma. Nos anos seguintes, Octávio alicerçou o seu poder em Roma e na Itália, fundando colónias e distribuindo terras aos veteranos de César. De seguida, Octávio preparou-se para o embate final com António, começando por desacreditá-lo devido à sua união escandalosa com a rainha do Egipto, Cleópatra. Quando o triunvirato terminou oficialmente, em 33 a.C., foi restabelecida a República e procedeu-se à eleição de novos cônsules que, por sinal, eram partidários de António. Mas Octávio não se deixou afastar do poder: entrou na sala de reuniões do Senado com os seus legionários, substituiu os cônsules por outros da sua confiança, e enviou a António os magistrados depostos e respectivos partidários no Senado, num total de mais de 300 pessoas. A guerra civil reiniciou-se. No ano seguinte, em 32 a.C., Octávio declarou guerra a António e Cleópatra. Em 2 de Setembro de 31 a.C., a armada de Octávio vencia em Actium, seguindo-se a conquista de Alexandria, em 29 a.C. Abandonado por muitos dos seus partidários – que sem qualquer pudor se passaram para a facção vitoriosa – António suicidou-se. E Cleópatra, depois de, sem êxito, tentar seduzir Octávio - e perante a vontade deste em fazê-la desfilar no seu cortejo triunfal - suicidou-se deixando-se morder por uma áspide. Cesárion, filho de César e Cleópatra, foi também executado por ordem de Octávio, assim como os filhos adultos de António e Fúlvia. Os filhos de António e Cleópatra, contudo, foram poupados e enviados para a casa de Octávia, em Roma, onde foram educados a expensas de Octávio. A verdadeira prova da astúcia de Octávio consistiu em manter a ficção das velhas instituições republicanas, quando na prática se estava a instaurar uma monarquia absoluta. Era uma solução tipicamente romana: sem romper de vez com a tradição, surgia um nova forma de exercer o poder. Depois de muito deliberar, o Senado atribuiu-lhe então o título de “Augusto”. Augusto era agora o primeiro dos cidadãos. E como detinha o império proconsular e o poder tribunício, era doravante o senhor absoluto do Estado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Império Romano






História de Roma

Da Monarquia à República
Situada na planície do Lácio, nas margens do rio Tibre e próxima ao litoral (mar Tirreno), a cidade de Roma originou-se a partir da fusão de dois povos: os latinos e os sabinos. Inicialmente uma aldeia pequena e pobre, numa data difícil de precisar Roma foi conquistada pelos seus vizinhos do norte, os etruscos, que dela fizeram uma verdadeira cidade. Os romanos eram também vizinhos dos gregos, que, ao sul, haviam criado a chamada Magna Grécia, onde habitavam desde a época da fundação de Roma.
Dos etruscos e dos gregos os romanos receberam importantes influências e, com base nelas, elaboraram a sua própria civilização.
A sociedade romana, como a grega, é exemplo de sociedade esclavagista, embora difira desta em alguns aspectos fundamentais. O processo de concentração de terras pela aristocracia patrícia jamais foi bloqueado, e o poder e a influência daquela camada social permaneceram praticamente inalterados até o fim.
O elemento central da grande estabilidade desfrutada por Roma foi a instituição do latifúndio esclavagista, que, estabelecido ali numa escala desconhecida pelos gregos, proporcionou aos patrícios o controle sobre os rumos da sociedade. À solidez económica e política da situação dos patrícios somou-se o talento militar dos romanos, que fez de Roma, uma cidade-Estado, a sede de um poderoso império.
Como os gregos, os romanos iniciaram a sua história sob o regime monárquico (fundado por Rómulo, segundo a lenda), experimentaram a república e terminaram os seus dias sob o domínio de um império universal despótico e muito parecido com os modelos orientais.
Monarquia (753 - 509 a.C.), República (509 - 27 a.C.) e Império (27 a.C.- 476 d.C.) são os três períodos em que se costuma dividir a história de Roma. O período do Império, por sua vez, é subdividido em Alto Império e Baixo Império. O Alto Império (27 a.C.- 235 d.C.) é a fase em que esteve em vigor o regime político do principado. O Baixo Império (235-476), o regime político do dominato.

Monarquia

Desde o tempo da Monarquia, a sociedade romana encontrava-se dividida em patrícios e plebeus. Os patrícios pertenciam à camada superior da sociedade, e os plebeus, à camada inferior. O que distinguia a ambos era a gens uma instituição análoga ao genos grego. Somente os patrícios pertenciam às gentes (plural de gens). Uma gens congregava os indivíduos que descendiam, pela linha masculina, de um antepassado comum. Portanto, a gens nada mais era do que família em sentido amplo. Em outras palavras, gens era o nome que os romanos davam àquilo que conhecemos como clã. E, como qualquer clã, a gens era composta de várias famílias individuais. Uma gens distinguia-se de outra pelo nome: gens Lívia, gens Fábia, etc. e todos os seus membros traziam o nome da gens. O nome dos patrícios era composto de três elementos: o prenome, o nome gentílico, ou da gens, e o cognome ou designação especial, uma espécie de apelido. Exemplos: Lúcio Cornélio Sila, Caio Júlio César, etc. Quer dizer: Sila era membro da gens Cornélia, e César, da gens Júlia.
Com a conquista etrusca de Roma e ao longo do governo dos três últimos reis etruscos, a desigualdade entre patrícios e plebeus aprofundou-se. Os patrícios não cessavam de ampliar o seu poder com o recrutamento de clientes. Essa palavra, para nós sinónimo de “freguês”, designava, para os romanos, um conjunto de dependentes que, em troca de lealdade e serviços, recebia favores das famílias patrícias. A clientela formava uma categoria social especial de agregados dessas famílias, cuja origem parece não ser a mesma dos plebeus. Primitivamente, clientes e plebeus eram duas categorias diferentes que acabaram, com o tempo, fundindo-se numa só. Toda grande família patrícia tinha a sua clientela. Em 479 a.C., a gens Fábia, por exemplo, era constituída por 306 membros e tinha de 4 a 5 mil clientes. Porém, por volta do ano 100 a.C., era frequente os plebeus dizerem-se clientes de uma família rica para receber dela algum amparo. Como categoria social, os plebeus continuaram sendo os que não pertenciam a nenhuma gens.
A menor unidade social era, pois, a gens. Um certo número de gentes formava uma cúria, e dez cúrias formavam uma tribo. Há portanto nessa organização certo paralelismo com a da Grécia:

As tribos romanas
Existiam em Roma, primitivamente, três tribos étnicas. Por volta de 470 a.C., elas foram substituídas por tribos territoriais. Em 241 a.C., atingiu-se, no total, 35 tribos territoriais (quatro urbanas e 31 rurais). Esse total não foi mais ultrapassado.

Cada gens era chefiada por um pater (“pai”). Os membros das cúrias reuniam-se em assembléias denominadas comícios curiatos, que votavam as leis. Os chefes das gentes, os patres (plural de pater e palavra da qual se origina patrício), formavam o Senado, ou seja, o conselho superior que actuava com o rei na época da Monarquia e que se converteu, durante a República, no órgão dirigente supremo. A palavra senado deriva do latim senex, que significa “velho”. O Senado era, pois, um conselho de anciãos, uma instituição muito comum na Antiguidade. Inicialmente composto de cem membros, o Senado passou a ter depois trezentos e, mais tarde, seiscentos membros.
Os que não pertenciam a nenhuma gens eram plebeus e, por esse motivo, estavam excluídos da vida política. Sem direitos políticos, eram considerados cidadãos de segunda classe. Mas, atenção, ser plebeu não significava ter uma condição econômica inferior ou de pobreza.

Sérvio Túlio, o segundo rei etrusco, é tido como o realizador de diversas reformas que favoreceram os plebeus. Ele criou várias gentes, promovendo famílias plebéias à condição de nobres, organizou assembléias militares, os comícios centuriatos, e estimulou o comércio e o artesanato visando fortalecer economicamente os plebeus. Essas medidas, que a tradição atribuiu a Sérvio Túlio, ficaram conhecidas como reformas servianas. O objetivo do rei, entretanto, não era propriamente beneficiar os plebeus, mas fortalecer o poder monárquico. A criação de uma classe plebéia vigorosa tinha por fim a neutralização do poder dos patrícios, ou seja, algo semelhante ao pretendido pelos tiranos, como Pisístrato, na Grécia. Mas em Roma essa política não teve o mesmo efeito.


A queda da Monarquia
Foi um movimento dos patrícios desejosos de manter seus privilégios contra a política “popular” de Sérvio Túlio. Tarquínio, chamado de “O Soberbo”, deu continuidade à política de seu antecessor. Os patrícios reagiram em 509 a.C. contra aquela política, destronando Tarquínio e dando fim à Monarquia. Para a felicidade dos patrícios, o êxito do movimento foi assegurado em boa parte pelo declínio da civilização etrusca, que não conseguiu realizar uma intervenção pronta e eficaz em Roma. Assim nasceu a República romana.

domingo, 11 de outubro de 2009

A origem do Teatro

O Teatro nasceu em Atenas, associado ao culto de Dionísio, deus do vinho e das festividades. As representações teatrais tinham lugar em recintos ao ar livre (anfiteatros), construídos para o efeito.
Os teatros gregos tinham tão boas condições que os espectadores podiam ouvir e ver, à distância, tudo o que se passava na cena, mesmo tratando-se de uma assistência muito numerosa. Isso devia-se, por um lado, ao facto de as bancadas se abrirem em leque sobre a encosta de uma colina e, por outro lado, a diversos artifícios utilizados em cena. Os actores usavam trajes de cores vivas e sapatos muito altos (coturnos) para ficarem com uma estatura imponente.
Cobriam o rosto com máscaras que serviam quer para ampliar o som da voz, quer para tornar mais visível à distância, a expressão do personagem. Um aspecto curioso é que, em cada peça, só existiam três actores, todos do sexo masculino. Cada um deles tinha que desempenhar vários papéis, incluindo os das personagens femininas.
A representação dos actores, que actuavam na cena, era acompanhada pelos comentários do coro, que se movimentava na orquestra, juntamente com os músicos. Havia dois géneros de representações: a tragédia e comédia.
As tragédias eram peças ou representações que pretendiam levar os espectadores a reflectirem nos valores e no sentido da existência humana. As comédias eram, por sua vez, peças de crítica social que retratavam figuras e acontecimentos da sociedade da época, ridicularizando defeitos e limitações da actuação dos homens, provocando o riso na assistência.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

sábado, 3 de outubro de 2009

A família na Antiguidade Clássica
Grécia
A formação de uma família entre os gregos não começava sempre da mesma forma, havia variações de acordo com a origem das pessoas. Entre os camponeses, por exemplo, era comum que os jovens se conhecessem na lavoura e que, a partir dos contactos estabelecidos no trabalho, viessem a namorar e depois a casar-se. No caso das jovens ricas, provenientes das linhagens nobres, os casamentos eram arranjados de acordo com conveniências.
Isso significava que os pais das jovens procuravam casamentos em que famílias de uma mesma origem social e padrão económico pudessem unir as suas fortunas através do matrimónio dos seus filhos. Eram feitas oferendas aos deuses (especialmente a Artémis, a protectora das mulheres) e oferecido um dote ao noivo e aos seus familiares. Esse presente de casamento dado pelo pai da noiva consistia em terras, bens de elevado valor e, até mesmo, dinheiro.
O dia em que o casamento se consolidava marcava a mudança da noiva para seu novo lar, a casa da família do seu marido. Somente no dia seguinte ao casamento é que os parentes e amigos próximos iriam dar presentes numa visita ao lar do novo casal.
Os meninos gregos das famílias que pertenciam às camadas sociais mais ricas e poderosas eram ensinados por tutores quanto à oratória, a poesia e o cálculo. As meninas eram educadas em casa, pelas próprias mães, para que se tornassem boas esposas e donas de casa.
As funções das mulheres gregas estabeleciam que elas deveriam dar-se ao máximo aos seus maridos e filhos e, dessa forma, abdicar quase que totalmente dos seus interesses e vontades. Cuidar do lar, presenciar o crescimento dos seus filhos e devotar integral fidelidade ao marido passava a ser a vida de qualquer mulher grega, excepto daquelas que viviam em Esparta.
A cidade de Esparta era aquela que proporcionava às mulheres a maior autonomia entre todas as pólis estabelecidas na Grécia Antiga. Isso acontecia em virtude da própria orientação política adoptada naquela localidade, onde a hostilidade entre cidadãos e não-cidadãos e a presença maciça de escravos criava a necessidade de manter os cidadãos em constante alerta contra revoltas internas. Como o grupo de espartanos era menor que o de não-cidadãos (escravos e estrangeiros), as crianças e mulheres eram preparados para colaborar em caso de conflitos ocorridos na cidade.
A necessidade de contar com o apoio das mulheres fazia com que os homens espartanos dessem a elas preparação militar, participação em actividades políticas e maior liberdade para participar das atividades do cotidiano da pólis (inclusive dos esportes).
As mulheres que viviam em outras cidades gregas, especialmente em Atenas (cidade-estado a respeito da qual existem mais informações e documentos disponíveis para pesquisa), tinham funções claramente domésticas, conforme havíamos dito. Eram responsabilidades dessas esposas, além da criação de seus filhos, que cuidassem da casa com o auxílio dos criados (para isso tinham que averiguar o serviço doméstico e orientar os empregados quanto a forma como esse trabalho deveria ser feito), a confecção de tecidos para a criação de peças de vestuário que seriam utilizadas pelos seus próprios familiares, a produção de tapetes e cobertas e a manutenção e embelezamento da casa.
Esparta destacou -se como a cidade-estado grega em que as mulheres tinham maior autonomia. As espartanas podiam participar da vida pública em praticamente todas as esferas, inclusive no exército e na política.
No caso das famílias humildes, a diferença consistia na inexistência de criados para a execução dos serviços domésticos, o que acarretava a necessidade de que esses trabalhos fossem realizados pela própria esposa, inclusive cozinhar, lavar e limpar a casa.
Era comum que as famílias se reunissem para realizar suas orações, no entanto, a posição dos demais membros da família em relação ao pai era de total subserviência. Todos lhe deviam respeito e total obediência, considerava-se que as mulheres e os filhos estavam sob a guarda legal do chefe de família e, de certa forma, a vida das mulheres grega alterava-se apenas no que se refere ao homem que comandava suas acções, o seu pai na infância e o seu marido na idade adulta.
A situação de homens e mulheres na Grécia Antiga começava-se a diferenciar quando ainda eram crianças. O primeiro e mais significativo indício dessas vidas diversas quanto ao futuro era a própria educação que a eles era ministrada. Os meninos gregos tinham tutores e participavam de actividades desportivas. Manter o corpo e a mente sadios era dever dos pais no que se refere aos filhos do sexo masculino (entre os membros das camadas mais importantes das cidades-estado daquela época).
Investia-se na aprendizagem da leitura, escrita, oratória, poesia e matemática para que os meninos pudessem se tornar os líderes que iriam manter as cidades no amanhã. A rigidez nos estudos era grande, por isso mesmo era dada aos tutores a possibilidade de aplicar castigos físicos aos meninos e rapazes que não se aplicassem nos estudos. Enquanto isso, as meninas eram educadas em casa, pelas mães, sempre tendo como objetivo de aprendizagem os afazeres domésticos e femininos consagrados pelo hábito na sociedade grega, ou sejam: fiar, tecer, ler, escrever, contar, o cancioneiro e as histórias populares e também os trabalhos domésticos.
http://www.youtube.com/watch?v=YE9rfrvyzOo

Mulheres de Atenas, tema de Chico Buarque
Letra do Tema "Mulheres de Atenas" de Chico Buarque



Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Vivem prós seus maridos

Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas se perfumam

Se banham com leite, se arrumam

Suas melenas

Quando fustigadas não choram

Se ajoelham, pedem imploram

Mais duras penas, cadenas



Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Sofrem por seus maridos

Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados

Elas tecem longos bordados

Mil quarentenas

E quando eles voltam, sedentos

Querem arrancar violentos

Carícias plenas, obscenas



Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Despem-se prós maridos

Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entompem de vinho

Costumam buscar um carinho

De outras falenas

Mas no fim da noite, aos pedaços

Quase sempre voltam para os braços

De suas pequenas, Helenas



Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Geram prós seus maridos

Os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade

Nem defeito, nem qualidade

Têm medo apenas

Não têm sonhos, só têm presságios

O se homem, mares, naufrágios

Lindas sirenas, morenas





Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Temem por seus maridos

Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas

E as gestantes abandonadas não fazem cenas

Vestem-se de negro, se encolhem

Se conformam e se recolhem

As suas novenas serenas



Mirem-se no exemplo Daquelas mulheres de Atenas

Secam por seus maridos

Orgulho e raça de Atenas

terça-feira, 29 de setembro de 2009