segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A tradição da árvore de Natal

Gravura de D. Fernando II com o rei vestido de S. Nicolau (J. Real Andrade/Fundação casa de Bragança)
Foi D. Fernando II quem, nostálgico das tradições da sua infância, resolveu um dia fazer no palácio uma árvore de Natal para os sete filhos que tinha com a rainha D. Maria II, e distribuir presentes vestido de São Nicolau. Em Inglaterra, a rainha Vitória encantava-se com a mesma tradição, trazida pelo seu marido, Alberto, primo de D. Fernando. Pela mão dos dois primos germânicos nascia a festa de Natal como a conhecemos hoje.
Continuar a ler a notícia em :http://www.publico.pt/Sociedade/o-nosso-natal-e-como-o-dos-principes-do-seculo-xix_1472199

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Estóriasdahistória

Foi criada uma página do blogue no Facebook.Consultem-na! A página tem a designação de Estórias dahistória tal como o blogue. 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

As Pragmáticas
As Pragmáticas são leis aprovadas para normalizar práticas sociais, nomeadamente o combate ao luxo, regulamentando, limitando e proibindo o vestuário luxuoso de determinados grupos sociais, bem como conter gastos exorbitantes na aquisição de produtos sumptuários. Enfim, o combate ao despesismo.
Estas leis remontam ao período medieval, durante o qual, entre outras, se destacou uma pragmática promulgada em 1340. Esta lei reflectia a preocupação do poder com os gastos excessivos da aristocracia portuguesa, que punham em perigo a sua prosperidade, colocando-a à beira da ruína, bem como a tentativa de aproximação da burguesia à nobreza pela rivalidade com os nobres nos símbolos da hierarquia e na ostentação de opulência. A nobreza já não sobrevivia com os dividendos retirados da terra e, como não podia auferir dos lucros das actividades artesanais e comerciais, ansiava, portanto, pelo retorno de um período de grande prosperidade como o da Reconquista.
Esta lei revelava igualmente a agitação social entre as classes mais desfavorecidas, provocada pela quebra da estabilidade do regime feudal e pelo grande fluxo de "proletariado" em trânsito.
Com a introdução da política mercantilista em Portugal, através do conde da Ericeira e do marquês de Fronteira nos finais do século XVII, foram retomadas as leis pragmáticas que proibiam a importação e o uso de determinados produtos estrangeiros, com o intuito de proteger e fomentar a indústria portuguesa.

Artigo retirado da Infopedia

sábado, 6 de novembro de 2010

Revolução Industrial - Antecedentes


A Revolução Industrial começou em Inglaterra no final do século XVIII, com a aplicação de inovações técnicas nos campos da indústria e dos transportes e com a descoberta de uma inovadora fonte de energia produzida pelo vapor, que se revelou verdadeiramente revolucionária. A sua aplicação nos trabalhos industriais e em meios de transportes sobre carris e na navegação veio alterar profundamente os sistemas produtivos e a vida dos homens.
As três grandes Revoluções Industriais andaram sempre ligadas à descoberta de novas fontes de energia. Se no final do século XVIII e início do século XIX as novidades eram a máquina a vapor e o carvão, na Segunda Revolução Industrial, final do século XIX, inícios do século XX, a grande conquista foi a electricidade e o motor de explosão; enquanto que nos nossos dias alguns países se encontram numa terceira fase desta revolução, caracterizada pelo uso da energia nuclear e das chamadas ''energias alternativas".
A Inglaterra foi o país pioneiro, que liderou todo este processo de renovação tecnológica, porque nesse território se concentraram um conjunto de factores favoráveis a esta mutação tão profunda, que implicou uma mudança radical da vivência de muitas pessoas em todo o Mundo.
Tudo começou por volta de 1780, o ciclo de profundas transformações técnicas e tecnológicas a que se deu o nome de Revolução Industrial, como se viu, desencadeado pela introdução da máquina a vapor, aperfeiçoada por James Watt e pela conjugação de uma série de condicionalismos favoráveis: visão política, abundância de capitais, mão-de-obra numerosa, disponibilidade de matérias-primas, recursos naturais, amplos mercados.
Na Inglaterra o arranque da Revolução Industrial foi precoce, porque a burguesia britânica era muito activa, talvez mais activa do que as suas congéneres europeias, por ser favorecida por um regime político-liberal, por se ter desenvolvido através da acumulação de riqueza nos domínios coloniais, e por reinvestir os lucros em investimentos que lhe garantiam a multiplicação do seu capital, ao contrário, por exemplo, da burguesia portuguesa, cujo sonho era adquirir propriedades e comprar títulos nobiliárquicos para tentar igualar-se à nobreza.
O segundo factor que facilitou o desenvolvimento da economia inglesa foi a disponibilidade de uma mão-de-obra muito numerosa, resultante do êxodo rural provocado pelo movimento das enclosures. Trata-se, no fundo, de estabelecer uma relação entre a chamada revolução agrícola e a Revolução Industrial. De qualquer modo, este tema da revolução agrícola é polémico e bastante debatido, não se chegando a consensos. A corrente historiográfica actual considera que não terá sido inteiramente por acção dessa revolução agrícola que se libertou mão-de-obra, até porque a agricultura só se desenvolveu posteriormente à expansão industrial; considera, além disso, que é exactamente o desenvolvimento industrial o grande factor de atracção de mão-de-obra rural para os novos centros industriais. A riqueza em matérias-primas, provenientes da metrópole (ferro, hulha e lã) e das colónias (algodão e madeira) também funcionou como factor motivador deste precoce desenvolvimento, ainda mais porque a revolução das técnicas e dos processos agrícolas na Inglaterra fornecia uma parte dessas matérias e canalizava dinheiro e pessoas para outros sectores da economia. Uma palavra ainda para a amplitude do mercado britânico, condicionalismo essencial para o vingar deste processo. Desde logo, a formação do mercado interno, de considerável dimensão, sobretudo a partir do momento em que os governos da Coroa investiram enormes recursos na construção de canais ligando os principais rios ingleses e formando assim uma vasta rede de comunicações facilitadora de um mercado nacional. Por outro lado, não podemos esquecer que a Grã-Bretanha deste tempo se tornara o maior império colonial do Mundo. Com isso, os britânicos beneficiavam, confortavelmente, da dupla dimensão que as colónias desempenhavam no processo de industrialização: por um lado eram mercados fornecedores de matérias-primas; por outro funcionavam como mercados onde a metrópole colocava produtos transformados com lucros compensadores.
O crescimento económico inglês assentou na aplicação prática de inventos como a lançadeira volante, a fiadora mecânica, o tear mecânico e a máquina a vapor, um dos principais inventos desta revolução, que surgiu na Inglaterra. O desenvolvimento tecnológico, apoiado na modernização das ciências, acarretou um salto qualitativo e quantitativo na produção industrial, que a pouco e pouco se afastou dos processos produtivos tradicionais.
Os sectores de arranque da Revolução Industrial foram por um lado a indústria têxtil, sobretudo a indústria algodoeira, um sector económico que não requer muito investimento capital e técnico, e por outro a indústria metalúrgica, o segundo sector de arranque, entre as décadas de 30 e 40, ligado às exigências das comunicações e dos transportes, como os comboios e as pontes.
O desenvolvimento dos transportes, isto é, a revolução dos transportes, ocorrido durante o século XIX com a introdução da energia a vapor nos barcos (Fulton, 1803) e depois aplicada aos comboios (Stephenson, 1816) veio acelerar este processo, que começou em Inglaterra ainda no final do século XVIII e que depois se propagou um pouco por todos os cantos do Mundo a partir do século XIX.
Artigo da Infopedia

domingo, 17 de outubro de 2010

Um dia na corte de Luís XIV

Estava tudo pronto, a toilette e a toalha de rosto estavam escolhidas e eu teria o privilégio de ajudar o rei a vestir-se, assim desloquei-me cedo para o seu quarto.
Por volta das 10:00 horas, finalmente, o rei acordou e eu tive a experiência inesquecível de estar lá a vê-lo acordar e ajudá-lo a vestir-se… Depois de uma hora a arranjar a sua peruca, este estava pronto para um belo dia de descanso.
Já na sala, o rei tinha à sua espera um grande pequeno-almoço, com vários mordomos à sua volta e até músicos. Quando já se tinha alimentado pediu para que lhe pusessem música e assim quebrou aquele silêncio entre ele e os seus criados.
Ia ser um dia calmo sem grandes planos pelo que o rei aproveitou para usar os seus dotes artísticos e retirou-se para um dos jardins do palácio, deixando-se levar pela imaginação, desenhando Apolo. Todos aqueles sons da natureza e o imenso espaço verde, inspiraram o rei. Só o barulho de uma carruagem despertou a atenção de Luís XIV e os seus olhos encantaram-se ao ver uma esplêndida princesa e a partir daí desenrolou-se um pequeno diálogo entre eles. Com tal admiração e encanto por parte do monarca este convidou-a para a acompanhar no seu almoço.
A mesa encontrava-se com mais comida e requinte, toda a sala estava recheada de objectos luxuosos e quadros moldados a ouro dos seus antepassados.
Entretanto estava na hora da cesta como tal a princesa retirou-se deixando o monarca descansar, não sem antes, retirar com a minha ajuda, todas aquelas vestes e a peruca.
Quando se encontrava na solidão do seu quarto, lembrou-se então da princesa e escreveu uma das suas cartas, admitindo o amor que a princesa tinha despertado nele.
Portanto, posso orgulhar-me de ter presenciado um dia tão calmo mas tão marcante, pois o Rei viria a casar-se com a maravilhosa princesa.

Catarina Azevedo
Inês Costa
Roberto Rivelino

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um dia na Corte de Luís XIV
   Segue-se um relato de um dia passado na Corte do Rei Luís XIV e da Rainha Maria Teresa, que se fez acompanhar de três damas de honra, no meio de tantas, as suas predilectas: Shopie, Louise e Elizabeth.
   Para a Rainha, o dia inicia-se às 8.30h e, a essa hora, as damas de honra tinham já de estar nos seus aposentos com tudo preparado para iniciar a sua rotina. Cada uma tinha uma diferente tarefa: Sophie vertia água para a Rainha lavar as suas mãos e colocava-lhe a camisa; Louise vestia-lhe o saiote e dava-lhe a restante combinação da roupa; Elizabeth tratava do seu cabelo. O vestuário da Rainha dispunha de inúmeras e luxuosas peças de roupa, nunca repetia nada e, com frequência, era renovado e tudo era feito à medida da Rainha, pelo melhor alfaiate da Corte.
   A 1ªetapa da manhã era longa e, depois de terminada, a Rainha descia para tomar o pequeno-almoço. Acompanhada pelas suas damas de honra, a Rainha chegava à requintada sala onde a esperava o Rei para tomarem o pequeno-almoço. Nesse dia, chegou uma carta a convidar os Reis para uma festa que se realizaria nessa mesma noite – por parte dos Reis Vizinhos, cujo motivo da celebração era festejar o 18º aniversário das suas duas filhas e, também, anunciar os seus noivados. Depois de terminado o pequeno-almoço, o Rei preparou-se para a sua habitual tarde passada a caçar juntamente com outros membros da Corte. A Rainha aproveitou a restante manhã para ir a uma aula de dança, ensaiar para as típicas danças principais que abrem os bailes da Corte. Como sempre, acompanhada pelas damas, a Rainha, antes do seu chá das 17.00h, com as suas habituais companheiras, membros da nobreza também, aproveitou para passear os seus jardins de cavalo. Já na hora do chá, comentou-se sobre a festa e sobre quem seriam os possíveis noivos. Pairando ainda a dúvida no ar, chegara a hora de se despedirem e de se prepararem para a festa dessa noite, então a Rainha retirou-se para os seus aposentos para tratar da sua imagem: o seu banho, a escolha do traje, o cabelo… tudo isto com a ajuda das suas damas e com toda a perfeição possível.
   No final do dia, a Rainha estava pronta para seguir viagem, destinada à festa vizinha. O Rei também se encontrava pronto e esperava-a na sala principal. A Rainha desceu e seguiu viagem com o seu Rei. As damas de honra ficaram pelo palácio a preparar tudo para quando a Rainha voltasse.
   Chegaram à festa e, como normal, estava tudo repleto de elegância e membros da Corte. Chegara a hora de anunciar os noivados e uma das noivas tinha desaparecido, chegara a notícia que tinha fugido com um membro do Povo. Começou uma série de comentários e muita agitação por parte de todos os nobres presentes. Porém, anunciou-se o noivado da outra filha presente e a festa ficou por ali.
   Uma noite que acabara mal… e chegou a hora dos Reis partirem para o seu lar. Depois de um longo dia, o Rei e a Rainha retiraram-se, cada um, para os seus aposentos e já as damas estavam prontas para ajudarem a Rainha a deitar-se.
   E foi assim um dia passado na Corte, em especial, com a Rainha.

Andreia, Cristiana e Isabel 11º A

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Le Roi danse


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Com base no documento, identifique os elementos estéticos de encenação ou representação do poder.

domingo, 3 de outubro de 2010

Luis XIV«É somente na minha pessoa que reside o poder soberano [...], é somente de mim que os meus tribunais recebem a sua existência e a sua autoridade; a plenitude desta autoridade, que eles não exercem senão em meu nome, permanece sempre em mim, e o seu uso nunca pode ser contra mim voltado; é unicamente a mim que pertence o poder legislativo, sem dependência e sem partilha; é somente por minha autoridade que os funcionários dos meus tribunais procedem, não à formação, mas ao registo, à publicação, à executação da lei, e que lhes é permitido advertir-me o que é o dever de todos os úteis conselheiros; toda a ordem pública emana de mim e os direitos e interesses da Nação, de que se pretende ousar fazer um corpo separado do monarca, estão necessariamente unidos com os meus e repousam inteiramente nas minha mãos.»

Resposta do Rei Luís XIV ao Parlamento de Paris, na sua sessão de 3 de Março de 1766

Com base nos documentos e conhecimentos adquiridos, explique os princípios da doutrina do absolutismo régio.


terça-feira, 28 de setembro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Antigo Regime

O Antigo Regime ou Ancien Régime (do francês) refere-se originalmente
ao sistema social e político aristocrático estabelecido na França, sob as dinastias de Valois e Bourbon, entre os séculos XIV e XVIII.
Durante o Antigo Regime a sociedade francesa encontrava-se dividida em três ordens, estamentos ou estados: o clero (Primeiro Estado), a nobreza (Segundo Estado) e o Terceiro Estado, que representava a burguesia e o povo.
Cada estado tinha direito a um voto nas decisões das assembleias (Estados Gerais). Essa divisão era considerada injusta, pois a nobreza e o clero, que nesse sistema tinham direito a um voto cada, compunham na verdade um só grupo, já que o Estado era vinculado à Igreja Católica na época.
Segundo a historiografia da época da Revolução Francesa, o Ancien Régime desenvolveu-se a partir da monarquia francesa da época Medieval e foi derrubado séculos depois, em1789, pela Revolução Francesa. O poder no Antigo Regime baseava-se em três pilares: a monarquia, o clero e a aristocracia. A sociedade era dividida em três Estados: o Primeiro Estado, o clero; o Segundo Estado, a nobreza; o Terceiro Estado, o resto da população.
Esse estilo de governo marcou a Europa na Idade Moderna. Na esfera política, era caracterizado pelo absolutismo, ou seja, uma monarquia absolutista, na qual o soberano concentrava em suas mãos os modernos poderes executivo, legislativo e judicial; na economia, vigorava o mercantilismo, marcado pela acumulação de capital realizado pelas nações. Outros "antigos regimes" em outros países europeus tiveram origens semelhantes, mas nem todos terminaram do mesmo modo: alguns evoluíram para monarquias constitucionais, enquanto outros foram derrubados por guerras e revoluções.
Embora a sua utilização seja contemporânea à Revolução Francesa, o maior responsável pela fixação da expressão Ancien Régime na literatura foi Alexis de Tocqueville, autor do ensaio O Antigo Regime e a Revolução. Esse texto indica precisamente que "a Revolução Francesa baptizou aquilo que aboliu" (la Révolution française a baptisé ce qu'elle a aboli).
Desde o ponto de vista dos inimigos da revolução, o termo Antigo Regime carregava uma certa nostalgia, de paraíso perdido.

A Europa do Rei Sol

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sábado, 11 de setembro de 2010

Depois de um ano de trabalho bastante proveitoso este blog continua a manter os objectivos inicialmente definidos, este ano serão trabalhados conteúdos e materiais do 11º ano de escolaridade.
Bom ano Lectivo!
Bom Ano Lectivo 2010/2011!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A Taxa Camarae do Papa Leão X (1513-1521)
Um dos pontos culminantes da corrupção humanaA Taxa Camarae é um tarifário promulgado em 1517, pelo papa Leão X (1513-1521) destinado a vender indulgências, ou seja, o perdão dos pecados, a todos quantos pudessem pagar umas boas libras ao pontífice.Como veremos na transcrição que se segue, não havia delito, por mais horrível que fosse, que não pudesse ser perdoado a troco de dinheiro.Leão X declarou aberto o céu para todos aqueles, fossem clérigos ou leigos, que tivessem violado crianças e adultos, assassinado uma ou várias pessoas, ou abortado, desde que se manifestassem generosos com os cofres papais.“
1. O eclesiástico que cometa o pecado da carne, seja com freiras, seja com primas, sobrinhas ou afilhadas suas, seja, por fim, com outra mulher qualquer, será absolvido, mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos.
2. Se o eclesiástico, além do pecado de fornicação, quiser ser absolvido do pecado contra a natureza ou de bestialidade, deve pagar 219 libras, 15 soldos. Mas se tiver apenas cometido pecado contra a natureza com meninos ou com animais e não com mulheres, somente pagará 131 libras e 15 soldos.
3. O sacerdote que desflorar uma virgem, pagará 2 libras e 8 soldos.
4. A religiosa que quiser alcançar a dignidade de abadessa depois de se ter entregue a um ou mais homens simultânea ou sucessivamente, quer dentro, quer fora do seu convento, pagará 131 libras e 15 soldos.
5. Os sacerdotes que quiserem viver maritalmente com parentes, pagarão 76 libras e 1 soldo.
6.Para todos os pecados de luxúria cometidos por um leigo, a absolvição custará 27 libras e 1 soldo; no caso de incesto, acrescentar-se-ão em consciência 4 libras.
7. A mulher adúltera que queira ser absolvida para estar livre de todo e qualquer processo e obter uma ampla dispensa para prosseguir as suas relações ilícitas, pagará ao Papa 87 libras e 3 soldos. Em idêntica situação, o marido pagará a mesma soma; se tiverem cometido incesto com os seus filhos acrescentarão em consciência 6 libras.
8. A absolvição e a certeza de não serem perseguidos por crimes de rapina, roubo ou incêndio, custará aos culpados 131 libras e 7 soldos.
9. A absolvição de um simples assassínio cometido na pessoa de um leigo é fixada em 15 libras, 4 soldos e 3 dinheiros.
10. Se o assassino tiver morto a dois ou mais homens no mesmo dia, pagará como se tivesse apenas assassinado um.
11. O marido que tiver dado maus tratos à sua mulher, pagará aos cofres da chancelaria 3 libras e 4 soldos; se a tiver morto, pagará 17 libras, 15 soldos; se o tiver feito com a intenção de casar com outra, pagará um suplemento de 32 libras e 9 soldos. Se o marido tiver tido ajuda para cometer o crime, cada um dos seus ajudantes será absolvido mediante o pagamento de 2 libras.
12. Quem afogar o seu próprio filho pagará 17 libras e 15 soldos [ou seja, mais duas libras do que por matar um desconhecido (observação do autor do livro)]; caso matem o próprio filho, por mútuo consentimento, o pai e a mãe pagarão 27 libras e 1 soldo pela absolvição.
13. A mulher que destruir o filho que traz nas entranhas, assim como o pai que tiver contribuído para a perpetração do crime, pagarão cada um 17 libras e 15 soldos. Quem facilitar o aborto de uma criatura que não seja seu filho pagará menos 1 libra.
14. Pelo assassinato de um irmão, de uma irmã, de uma mãe ou de um pai, pagar-se-á 17 libras e 5 soldos.
15. Quem matar um bispo ou um prelado de hierarquia superior terá de pagar 131 libras, 14 soldos e 6 dinheiros.
16. O assassino que tiver morto mais de um sacerdote, sem ser de uma só vez, pagará 137 libras e 6 soldos pelo primeiro, e metade pelos restantes.
17. O bispo ou abade que cometa homicídio por emboscada, por acidente ou por necessidade, terá de pagar, para obter a absolvição, 179 libras e 14 soldos.
18. Quem quiser comprar antecipadamente a absolvição, por todo e qualquer homicídio acidental que venha a cometer no futuro, terá de pagar 168 libras e 15 soldos.
19. O herege que se converta pagará pela sua absolvição 269 libras. O filho de um herege queimado, enforcado ou de qualquer outro modo justiçado, só poderá reabilitar-se mediante o pagamento de 218 libras, 16 soldos e 9 dinheiros.
20. O eclesiástico que, não podendo saldar as suas dívidas, não quiser ver-se processado pelos seus credores, entregará ao pontífice 17 libras, 8 soldos e 6 dinheiros, e a dívida ser-lhe-á perdoada.
21. A licença para instalar pontos de venda de vários géneros, sob o pórtico das igrejas, será concedida mediante o pagamento de 45 libras, 19 soldos e 3 dinheiros.
22. O delito de contrabando e as fraudes relativas aos direitos do príncipe contarão 87 libras e 3 dinheiros.
23. A cidade que quiser obter para os seus habitantes ou para os seus sacerdotes, frades ou monjas autorização de comer carne e lacticínios nas épocas em que está vedado fazê-lo, pagará 781 libras e 10 soldos.
24. O convento que quiser mudar de regra e viver com menos abstinência do que a que estava prescrita, pagará 146 libras e 5 soldos.
25. O frade que para sua maior conveniência, ou gosto, quiser passar a vida numa ermida com uma mulher, entregará ao tesouro pontifício 45 libras e 19 soldos.
26. O apóstata vagabundo que quiser viver sem travas pagará o mesmo montante pela absolvição.
27. O mesmo montante terá de pagar o religioso, regular ou secular, que pretenda viajar vestido de leigo.
28. O filho bastardo de um prior que queira herdar a cura de seu pai, terá de pagar 27 libras e 1 soldo.
29. O bastardo que pretenda receber ordens sacras e usufruir de benefícios pagará 15 libras, 18 soldos e 6 dinheiros.
30. O filho de pais incógnitos que pretenda entrar nas ordens pagará ao tesouro pontifício 27 libras e 1 soldo.
31. Os leigos com defeitos físicos ou disformes, que pretendam receber ordens sacras e usufruir de benefícios pagarão à chancelaria apostólica 58 libras e 2 soldos.
32. Igual soma pagará o cego da vista direita, mas o cego da vista esquerda pagará ao Papa 10 libras e 7 soldos. Os vesgos pagarão 45 libras e 3 soldos.
33. Os eunucos que quiserem entrar nas ordens, pagarão a quantia de 310 libras e 15 soldos.
34. Quem, por simonia, (compra ou venda ilícita de benefícios eclesiásticos) quiser adquirir um ou mais benefícios deve dirigir-se aos tesoureiros do Papa que lhos venderão por um preço moderado.
35. Quem, por ter quebrado um juramento, quiser evitar qualquer perseguição e ver-se livre de qualquer marca de infâmia, pagará ao Papa 131 libras e15 soldos. Pagará ainda por cada um dos seus fiadores a quantia de 3 libras.”

terça-feira, 2 de março de 2010

Indicadores de Aprendizagem

Analisar o contexto em que se processou a fixação no território português.
Caracterizar o poder senhorial.
Explicar como se processava a exploração económica do senhorio.
Descrever a organização do espaço citadino.
Caracterizar o poder régio.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Indicadores de Aprendizagem

Caracterizar o Cristianismo e o Império Romano-Cristão.
Inferir da importância da Igreja na transmissão do legado político-cultural clássico.
Descrever a multiplicidade de poderes existentes na Época Medieval.
Caracterizar a atitude da Igreja Medieval face a Bizâncio e ao Islão.
Conhecer as características da expansão agrária ocorrida a partir das primeiras décadas do século XI.
Analisar o surto comercial no Ocidente europeu nos séculos XII-XIII.
Resumos da matéria

As feiras da Champagne

As trocas comerciais no século XIII operavam-se em diversas feiras, entre as quais se destacam as belgas de Torhout, Ypres, Lille, Messines e Bruges; as renanas de Colónia e Dortmund e as inglesas de Londres e Iorque.
Até ao século XIV as feiras mais frequentadas foram as da Champagne, situadas no cruzamento das rotas comerciais que da Itália e Provença conduziam à Flandres e à Alemanha. No entanto, esta situação só por si não justifica o estabelecimento das feiras internacionais nas pequenas cidades de Lagny, Bar-sur-Aube, Provins e Troyes, nem, explica a importância internacional que adquiriram, pois outras semelhantes podiam ter canalizado a corrente mercantil. É preciso também dar valor à decisão dos condes da Champagne de instalar ali aquelas feiras, na segunda metade do século XI.
A origem destas feiras é obscura. Parece que já desde o século IX os mercadores frequentavam a planície champanhesa e que os condes, para assegurarem a sua presença, estabeleceram feiras regionais, convertidas, por fins do século XII em mercados internacionais e prósperos, verdadeira concentração de comerciantes de toda a Europa. Desde 1191, em que surgem em plena actividade, celebram-se sucessivamente em Lagny-sur-Marne, no mês de Janeiro: por meados da Quaresma, em Bar-sur-Aube; em Maio, em Provins; em Junho, em Troyes; em Setembro, pela segunda vez, em Provins e finalmente em Outubro, novamente em Troyes. Durante o século XIII, cada uma destas seis feiras durava seis semanas, mediando entre elas o tempo necessário para a deslocação das pessoas e o transporte das suas mercadorias. Como se vê, constítuiam um ciclo, uma espécie de feira permanente sucessivamente transplantada.
A entrada de mercadorias demorava uma semana; a seguir, durante nove dias vendiam-se tecidos e fazendas; nos onze seguintes, coiros e peles, relegando-se os pagamentos para os últimos dias. Esta prática tinha a vantagem de reduzir ao mínimo as operações monetárias.
Os principais concorrentes a estas feiras foram flamengos e italianos, que representavam os centros mercantis e industriais mais activos e complementares. Os primeiros, incluídos na Hansa das XVII Cidades, dirigida por Arras, vendiam tecidos e adquiriam dos italianos telas do Oriente, artigos de ourivesaria e jóias, mas sobretudo especiarias.
Acorriam também muitos outros comerciantes estrangeiros, da Catalunha, de Valência, Genebra, Alemanha e Inglaterra. Importância especial tinham as peles e couros do Norte, os metais que traziam alemães e ingleses, bem como os produtos agrícolas exóticos (açúcar, arroz, frutas secas, vinhos, etc.) e corantes, traídos pelos meridionais.
Desde meados do século XIII surge uma transformação nas feiras da Champagne. O comércio em geral perde importância; só as especiarias – mercadorias caras – continuam a afluir a elas em abundância. Mas os negócios de dinheiro aumentam, convertendo-se em centro regulador de câmbios internacionais, até ao decénio 1315-20, em que repentinamente decaem e desaparecem.

Idade M�dia

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