segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Resumos da matéria

As feiras da Champagne

As trocas comerciais no século XIII operavam-se em diversas feiras, entre as quais se destacam as belgas de Torhout, Ypres, Lille, Messines e Bruges; as renanas de Colónia e Dortmund e as inglesas de Londres e Iorque.
Até ao século XIV as feiras mais frequentadas foram as da Champagne, situadas no cruzamento das rotas comerciais que da Itália e Provença conduziam à Flandres e à Alemanha. No entanto, esta situação só por si não justifica o estabelecimento das feiras internacionais nas pequenas cidades de Lagny, Bar-sur-Aube, Provins e Troyes, nem, explica a importância internacional que adquiriram, pois outras semelhantes podiam ter canalizado a corrente mercantil. É preciso também dar valor à decisão dos condes da Champagne de instalar ali aquelas feiras, na segunda metade do século XI.
A origem destas feiras é obscura. Parece que já desde o século IX os mercadores frequentavam a planície champanhesa e que os condes, para assegurarem a sua presença, estabeleceram feiras regionais, convertidas, por fins do século XII em mercados internacionais e prósperos, verdadeira concentração de comerciantes de toda a Europa. Desde 1191, em que surgem em plena actividade, celebram-se sucessivamente em Lagny-sur-Marne, no mês de Janeiro: por meados da Quaresma, em Bar-sur-Aube; em Maio, em Provins; em Junho, em Troyes; em Setembro, pela segunda vez, em Provins e finalmente em Outubro, novamente em Troyes. Durante o século XIII, cada uma destas seis feiras durava seis semanas, mediando entre elas o tempo necessário para a deslocação das pessoas e o transporte das suas mercadorias. Como se vê, constítuiam um ciclo, uma espécie de feira permanente sucessivamente transplantada.
A entrada de mercadorias demorava uma semana; a seguir, durante nove dias vendiam-se tecidos e fazendas; nos onze seguintes, coiros e peles, relegando-se os pagamentos para os últimos dias. Esta prática tinha a vantagem de reduzir ao mínimo as operações monetárias.
Os principais concorrentes a estas feiras foram flamengos e italianos, que representavam os centros mercantis e industriais mais activos e complementares. Os primeiros, incluídos na Hansa das XVII Cidades, dirigida por Arras, vendiam tecidos e adquiriam dos italianos telas do Oriente, artigos de ourivesaria e jóias, mas sobretudo especiarias.
Acorriam também muitos outros comerciantes estrangeiros, da Catalunha, de Valência, Genebra, Alemanha e Inglaterra. Importância especial tinham as peles e couros do Norte, os metais que traziam alemães e ingleses, bem como os produtos agrícolas exóticos (açúcar, arroz, frutas secas, vinhos, etc.) e corantes, traídos pelos meridionais.
Desde meados do século XIII surge uma transformação nas feiras da Champagne. O comércio em geral perde importância; só as especiarias – mercadorias caras – continuam a afluir a elas em abundância. Mas os negócios de dinheiro aumentam, convertendo-se em centro regulador de câmbios internacionais, até ao decénio 1315-20, em que repentinamente decaem e desaparecem.

Sem comentários:

Enviar um comentário