quinta-feira, 11 de novembro de 2010

As Pragmáticas
As Pragmáticas são leis aprovadas para normalizar práticas sociais, nomeadamente o combate ao luxo, regulamentando, limitando e proibindo o vestuário luxuoso de determinados grupos sociais, bem como conter gastos exorbitantes na aquisição de produtos sumptuários. Enfim, o combate ao despesismo.
Estas leis remontam ao período medieval, durante o qual, entre outras, se destacou uma pragmática promulgada em 1340. Esta lei reflectia a preocupação do poder com os gastos excessivos da aristocracia portuguesa, que punham em perigo a sua prosperidade, colocando-a à beira da ruína, bem como a tentativa de aproximação da burguesia à nobreza pela rivalidade com os nobres nos símbolos da hierarquia e na ostentação de opulência. A nobreza já não sobrevivia com os dividendos retirados da terra e, como não podia auferir dos lucros das actividades artesanais e comerciais, ansiava, portanto, pelo retorno de um período de grande prosperidade como o da Reconquista.
Esta lei revelava igualmente a agitação social entre as classes mais desfavorecidas, provocada pela quebra da estabilidade do regime feudal e pelo grande fluxo de "proletariado" em trânsito.
Com a introdução da política mercantilista em Portugal, através do conde da Ericeira e do marquês de Fronteira nos finais do século XVII, foram retomadas as leis pragmáticas que proibiam a importação e o uso de determinados produtos estrangeiros, com o intuito de proteger e fomentar a indústria portuguesa.

Artigo retirado da Infopedia

sábado, 6 de novembro de 2010

Revolução Industrial - Antecedentes


A Revolução Industrial começou em Inglaterra no final do século XVIII, com a aplicação de inovações técnicas nos campos da indústria e dos transportes e com a descoberta de uma inovadora fonte de energia produzida pelo vapor, que se revelou verdadeiramente revolucionária. A sua aplicação nos trabalhos industriais e em meios de transportes sobre carris e na navegação veio alterar profundamente os sistemas produtivos e a vida dos homens.
As três grandes Revoluções Industriais andaram sempre ligadas à descoberta de novas fontes de energia. Se no final do século XVIII e início do século XIX as novidades eram a máquina a vapor e o carvão, na Segunda Revolução Industrial, final do século XIX, inícios do século XX, a grande conquista foi a electricidade e o motor de explosão; enquanto que nos nossos dias alguns países se encontram numa terceira fase desta revolução, caracterizada pelo uso da energia nuclear e das chamadas ''energias alternativas".
A Inglaterra foi o país pioneiro, que liderou todo este processo de renovação tecnológica, porque nesse território se concentraram um conjunto de factores favoráveis a esta mutação tão profunda, que implicou uma mudança radical da vivência de muitas pessoas em todo o Mundo.
Tudo começou por volta de 1780, o ciclo de profundas transformações técnicas e tecnológicas a que se deu o nome de Revolução Industrial, como se viu, desencadeado pela introdução da máquina a vapor, aperfeiçoada por James Watt e pela conjugação de uma série de condicionalismos favoráveis: visão política, abundância de capitais, mão-de-obra numerosa, disponibilidade de matérias-primas, recursos naturais, amplos mercados.
Na Inglaterra o arranque da Revolução Industrial foi precoce, porque a burguesia britânica era muito activa, talvez mais activa do que as suas congéneres europeias, por ser favorecida por um regime político-liberal, por se ter desenvolvido através da acumulação de riqueza nos domínios coloniais, e por reinvestir os lucros em investimentos que lhe garantiam a multiplicação do seu capital, ao contrário, por exemplo, da burguesia portuguesa, cujo sonho era adquirir propriedades e comprar títulos nobiliárquicos para tentar igualar-se à nobreza.
O segundo factor que facilitou o desenvolvimento da economia inglesa foi a disponibilidade de uma mão-de-obra muito numerosa, resultante do êxodo rural provocado pelo movimento das enclosures. Trata-se, no fundo, de estabelecer uma relação entre a chamada revolução agrícola e a Revolução Industrial. De qualquer modo, este tema da revolução agrícola é polémico e bastante debatido, não se chegando a consensos. A corrente historiográfica actual considera que não terá sido inteiramente por acção dessa revolução agrícola que se libertou mão-de-obra, até porque a agricultura só se desenvolveu posteriormente à expansão industrial; considera, além disso, que é exactamente o desenvolvimento industrial o grande factor de atracção de mão-de-obra rural para os novos centros industriais. A riqueza em matérias-primas, provenientes da metrópole (ferro, hulha e lã) e das colónias (algodão e madeira) também funcionou como factor motivador deste precoce desenvolvimento, ainda mais porque a revolução das técnicas e dos processos agrícolas na Inglaterra fornecia uma parte dessas matérias e canalizava dinheiro e pessoas para outros sectores da economia. Uma palavra ainda para a amplitude do mercado britânico, condicionalismo essencial para o vingar deste processo. Desde logo, a formação do mercado interno, de considerável dimensão, sobretudo a partir do momento em que os governos da Coroa investiram enormes recursos na construção de canais ligando os principais rios ingleses e formando assim uma vasta rede de comunicações facilitadora de um mercado nacional. Por outro lado, não podemos esquecer que a Grã-Bretanha deste tempo se tornara o maior império colonial do Mundo. Com isso, os britânicos beneficiavam, confortavelmente, da dupla dimensão que as colónias desempenhavam no processo de industrialização: por um lado eram mercados fornecedores de matérias-primas; por outro funcionavam como mercados onde a metrópole colocava produtos transformados com lucros compensadores.
O crescimento económico inglês assentou na aplicação prática de inventos como a lançadeira volante, a fiadora mecânica, o tear mecânico e a máquina a vapor, um dos principais inventos desta revolução, que surgiu na Inglaterra. O desenvolvimento tecnológico, apoiado na modernização das ciências, acarretou um salto qualitativo e quantitativo na produção industrial, que a pouco e pouco se afastou dos processos produtivos tradicionais.
Os sectores de arranque da Revolução Industrial foram por um lado a indústria têxtil, sobretudo a indústria algodoeira, um sector económico que não requer muito investimento capital e técnico, e por outro a indústria metalúrgica, o segundo sector de arranque, entre as décadas de 30 e 40, ligado às exigências das comunicações e dos transportes, como os comboios e as pontes.
O desenvolvimento dos transportes, isto é, a revolução dos transportes, ocorrido durante o século XIX com a introdução da energia a vapor nos barcos (Fulton, 1803) e depois aplicada aos comboios (Stephenson, 1816) veio acelerar este processo, que começou em Inglaterra ainda no final do século XVIII e que depois se propagou um pouco por todos os cantos do Mundo a partir do século XIX.
Artigo da Infopedia