quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Surrealismo


O Surrealismo procurou ultrapassar a percepção convencional e tradicional da realidade, desenvolvendo pesquisas estéticas fundamentadas nas descobertas freudianas do valor do inconsciente enquanto complemento da vida consciente e da capacidade comunicativa do sonho.
Recusando uma rígida unidade estilística, o surrealismo concretizou-se num espectro muito alargado de linguagens que iam desde o realismo mais minucioso de Dali, de Magritte e de Paul Delvaux, às tendências mais abstractas de Miró ou de Hans Arp, englobando expressões como a pintura, a escultura, a fotografia ou o cinema.
Desaparecendo enquanto movimento organizado com o eclodir da Segunda Guerra Mundial, o Surrealismo teve repercussões consideráveis para o desenvolvimento de muitas das correntes artísticas da segunda metade do século XX, como a Arte Pop.
Fonte: 
Abstracionismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
René Magritte

Salvador Dali

Cubismo

O Cubismo constitui uma rutura com a forma tradicional de representação ilusória do objeto no espaço, presente na arte desde o Renascimento. Esta corrente estética pretende a definição do objeto tendo em conta a bidimensionalidade do suporte e rebatendo-o de forma a que as diferentes faces do seu volume possam ser mostradas simultaneamente.
Este inovador método de construir a imagem pictórica foi desenvolvido por Picasso e Braque na primeira década do século XX. A primeira manifestação cubista ocorre em 1907 com a obra "Les Demoiselles d'Avignon", na qual Picasso apresenta algumas figuras angulosas e esquematizadas numa composição geométrica, onde as zonas de sombra são substituídas por linhas paralelas. São evidentes as influências exercidas pela arte ibérica e africana, que Picasso aponta como sendo as suas principais referências.
Fonte:
Cubismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

Pablo Picasso
 

Fauvismo

O Fauvismo é considerado como o movimento fundador da arte moderna em França. Apesar de não estar constituído como grupo organizado, o Fauvismo reunia artistas que partilhavam aspirações paralelas no campo da pintura. Os pintores Matisse, Derain, Braque, Vlaminck e Dufy pretendiam transformar a pintura sem, no entanto, proceder à rutura total com o formulário artístico do final do século. Todos adotaram uma paleta impressionista na qual associavam a cor à luz.
Fundado em 1904, este grupo experimental foi apresentado pela primeira vez ao público no Salão de outono de 1905, em Paris. A agressividade na aplicação da cor comum a todas as obras expostas por este grupo valeu aos seus autores a denominação pejorativa de fauves (feras) pelo crítico Luis Vauxcelles.
O Fauvismo terminou em 1908, dando origem a novas vias artísticas como o Expressionismo e o Cubismo.
Fonte:
Fauvismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
Andre Derain


Maurice de Vlaminck

Henri Matisse

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Expressionismo

O Expressionismo designa um movimento cultural que se manifestou nos mais diversos campos artísticos como as artes visuais, o teatro, a literatura e o cinema. Nas artes plásticas (pintura, escultura, fotografia) e na arquitetura, esta tendência, de dimensão internacional desenvolveu-se a partir dos finais do século XIX, tendo conhecido uma importante expansão na Alemanha, no contexto de angústia e de agitação social que antecedeu a Primeira Guerra Mundial.
Os quadros expressionistas tornaram-se o retrato intenso de emoções, transmitidas através de cores violentas e de pinceladas vincadas e as esculturas apresentavam formas agressivas, modelações vincadas e texturas rudes.
As primeiras manifestações que se podem considerar precursoras do movimento expressionista datam de meados de 1880. Entre estas contam-se as obras do pintor holandês Vincent Van Gogh, marcante pelo uso intenso dos valores cromáticos e texturais, e do francês Toulouse-Lautrec, nomeadamente pelos temas abordados e pela liberdade e espontaneidade do desenho. Os pintores Edvard Munch, expoente do Expressionismo nórdico, e James Ensor representaram outro momento de afirmação dos fundamentos da estética expressionista, como temas dramáticos e obsessivos.

Fonte:
Expressionismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
Ernst Ludwig Kirchner

Edvard Munch

As novas correntes artísticas - Vincent Van Gogh

Pintor holandês pós-impressionista, nasceu a 30 de março de 1853. Como Gauguin, é um apóstolo retardatário da pintura. Abandonou a sua profissão em 1876 para se dedicar como pregador laico aos mineiros de Borinage, no sul da Bélgica. No verão de 1880, decidiu consagrar-se à pintura com a mesma paixão incontrolada e a mesma sede de absoluto com que quisera servir as classes desfavorecidas. A Arte, a Literatura e a Religião, concebia-as como várias facetas de um mesmo mistério. Deixou a descrição das suas buscas, métodos e intenções em inúmeras cartas escritas sobretudo ao irmão, Theo. A sua carreira não iria durar mais do que uma década. Dois anos em Paris, de fevereiro de 1886 a fevereiro de 1888, transformaram por completo as suas conceções e a sua pintura. Nada o teria preparado para a visão dos quadros impressionistas, as novas técnicas libertadoras, a explosão das cores. A paixão pela cor, assim como um temperamento marginal, levou-o até Arles, na Provença. Os Girassóis, A Ponte Levadiça (1888), o pomar de Pessegueiros em Flor (1889) são os temas deste período. Os Ciprestes e Corvos sobre a Seara pertencem à última fase, em que o equilíbrio emocional do pintor era precário. No dia 29 de julho de 1890, Van Gogh suicidou-se com um tiro.
Van Gogh desenvolveu uma pintura caracterizada por uma intensidade emocional extrema. Mais do que pintar o que via, quis expressar o que sentia. E se o mundo do Impressionismo se pode revelar em pequenos pontos de luz, em Van Gogh esses pontos de luz tornam-se energia pura. Os objetos são distorcidos, as proporções falseadas, e a própria textura torna-se um elemento da expressão emocional do quadro. As cores são utilizadas no seu estado puro e aplicadas com a espátula ou o pincel, criando um relevo, um padrão, um ritmo insistente. A sua arte inicia o Expressionismo, valorizando o que é significativo em detrimento dos padrões de beleza clássicos, de maneira a que a pintura seja mais "verdadeira do que a própria verdade", nos dizeres do próprio artista.

Vincent Van Gogh. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O primeiro presidente da República: Manuel de Arriaga

Manuel José de Arriaga Brum da Silveira nasceu a 8 de Julho de 1840 na cidade da Horta, Ilha do Faial, nos Açores. Pertencia a uma família da aristocracia açoriana. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e foi professor de Inglês do Ensino Liceal. Em 1876 fez parte da Comissão de Reforma da Instrução Secundária.
Filiado no Partido Republicano Português, participou activamente em comícios que se realizavam em Lisboa e os seus discursos inflamados contribuíam para aumentar o número de adeptos à causa republicana.
Depois do 5 de Outubro foi deputado às Constituintes e, no dia 24 de Agosto de 1911, tomou posse do cargo de Presidente da República. O seu mandato foi muito agitado e cheio de dificuldades porque os diferentes partidos republicanos que então se formaram não se conseguiam entender.  Em Janeiro de 1915, Manuel de Arriaga dissolveu o parlamento e consentiu que se instalasse a ditadura de Pimenta de Castro. As reacções não se fizeram esperar. Os opositores reuniram-se, o Presidente da República foi declarado fora da lei e, logo em Maio, rebentou uma revolução que repôs a ordem democrática e o forçou a demitir-se. Morreu em Lisboa a 5 de Março de 1917.


domingo, 9 de outubro de 2011

Regicídio

A violência da oposição à ditadura de João Franco criara as condições propícias a uma tentativa revolucionária republicana.
A 21 de janeiro de 1908 são presos, como suspeitos de conspiração, França Borges, João Chagas, Alfredo Leal e Vítor de Sousa, e, a 28 desse mês, fracassa uma tentativa revolucionária. Foram presos, como implicados na intentona, entre outros, Afonso Costa, Egas Moniz, Álvaro Pope e o visconde de Ribeira Brava.
O Governo resolve então intensificar a repressão. Prepara um decreto que lhe permite expulsar do país ou deportar para o ultramar os culpados de crime contra a segurança do Estado. Em 31 desse mês, o ministro da Justiça Teixeira de Abreu regressa de Vila Viçosa, onde se encontrava a família real, com o decreto assinado.
D. Carlos, no dia seguinte, 1 de fevereiro, regressa a Lisboa acompanhado da família real. Tendo desembarcado no Terreiro do Paço, seguiam numa carruagem aberta para o Paço das Necessidades. A carruagem real roda lentamente junto da penúltima arcada do lado ocidental do Terreiro do Paço. Subitamente, rompendo entre o cordão de polícias e população, um homem de revólver em punho põe o pé no estribo traseiro da carruagem real e dispara à queima-roupa contra o rei, atingindo-o com dois tiros na cabeça. A carruagem segue à desfilada pela rua do Arsenal, quando um outro indivíduo, mais adiante, dispara uma carabina que trazia oculta contra D. Luís Filipe, que segurava um revólver, matando-o.
D. Manuel é atingido num braço. Apenas a rainha D. Amélia sai ilesa.
O pânico e o tiroteio generalizam-se. O primeiro regicida terá sido morto pelo príncipe D. Luís Filipe. O segundo é morto pela polícia.
Os regicidas foram Alfredo Costa, de 28 anos, caixeiro de profissão e Manuel Buíça, de 32 anos, professor primário, ambos republicanos.


 
O atentado de 1 de fevereiro de 1908
 
Regicídio. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Tratado de Brest - Litovsk

O Tratado de Brest-Litovski (ou de Brest-Litovsk) foi um tratado de paz assinado entre o governo bolchevique da Rússia e as Potências da Tríplice Aliança (Império Alemão, Império Austro - Hungaro, Bulgária e Império Otomano) a 3 de Março de 1918 em Brest (anteriormente Brest- Litovski), na actual Bielorrúsisia. Com este tratado reconhecia-se a saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial.
O abandono do primeiro conflito mundial foi um dos principais objectivos dos ideólogos da Revolução Russa de 1917. A guerra tornara-se impopular entre o povo russo, devido às imensas perdas humanas, (cerca de quatro milhões de mortos)e  o número de estropiados de guerra e de desertores aumentava cada vez mais. No âmbito deste tratado, a Rússia perdia o controle sobre a Finlândia, Países Bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia), Polónia, Bielorrússia e Ucrânia.
A maior parte desses territórios tornar-se-iam, na prática, partes do Império Alemão. Entretanto, a derrota da Alemanha na guerra e a assinatura do Tratado de Versalhes permitiram que a Finlândia, Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia se tornassem Estados verdadeiramente independentes. Por outro lado, a Bielorrússia e a Ucrânia envolveram-se na Guerra Civil na Rússia, acabando por ser  novamente anexadas ao território russo.

Assinatura do Tratado de Brest - Litovsk



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Rei D. Carlos

D. Carlos nasceu no Palácio da Ajuda, a 28 de Setembro de 1863, recebendo o nome de Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha e morreu assassinado em Lisboa, a 1 de Fevereiro de 1908, sendo sepultado no Panteão Real de S. Vicente de Fora. Casou em Maio de 1886 com a princesa Maria Amélia Luísa Helena (n. em Twickenham, na Inglaterra, a 28 de Setembro de 1865; f. em Versalhes, a 25 de Outubro de 1951), filha de Luís Filipe Alberto, conde de Paris e duque de Orleães, e de sua esposa, Maria Isabel Francisca de Assis, infanta de Espanha. Do casamento nasceram:

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1. D. Luís Filipe (n. no Palácio de Belém, a 21 de Março de 1887; f. assassinado em Lisboa, a 1 de Fevereiro de 1908; sepultado no Panteão Real de S. Vicente de Fora). Chamava-se Luís Filipe Maria Carlos Amélio Francisco Vítor Manuel António Lourenço Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Bento e usava os títulos reais de príncipe da Beira e duque de Bragança e da Saxónia. Foi jurado príncipe herdeiro do trono em Julho de 1901 e a partir de 13 de Abril de 1906 passou a fazer parte do Conselho de Estado.
2. D. Maria Ana (n. no Paço Ducal de Vila Viçosa, de parto prematuro, a 14 de Dezembro de 1887; morreu com poucas horas de vida; sepultada no Panteão Real de S. Vicente de Fora).
3. D. Manuel II, que sucedeu no trono.

O seu reinado, que se iniciou em 1889, decorreu todo ele num ambiente efervescente e foi marcado por uma série de acontecimentos dramáticos: 
- Ultimato inglês, motivado pelo célebre mapa cor-de-rosa»;
- revolução republicana de 31 de Janeiro; 
- recrudescimento das lutas políticas entre republicanos, que aumentavam continuamente, e monárquicos, numa posição cada vez mais fraca; 
- ditadura de João Franco; 
-revoltas por todo o ultramar, desde a Guiné a Timor, e consequente repressão a que estão ligados os nomes de Mouzinho de Albuquerque, em Moçambique, Alves Roçadas, em Angola, e infante D. Afonso, na Índia; 
- nova tentativa revolucionária gorada, em 21 de Janeiro de 1908; 
- e, finalmente, em Fevereiro desse mesmo ano, morte de D. Carlos e de seu filho D. Luís Filipe, no Terreiro do Paço, alvejados a tiro por revolucionários.

Fonte: O Portal da História





sexta-feira, 10 de junho de 2011

Hoje é Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, celebrado a  10 de Junho, é o dia em que se assinala a morte de  Luís Vaz de Camões em  1580 é também o dia de Portugal.
 O 10 de Junho é estipulado como feriado, na sequência dos trabalhos legislativos após a  implantação da República a 5 de Outubro de 1910. No decorrer desses trabalhos legislativos, foi publicado um  decreto a 12 de Outubro, que definia os feriados nacionais. Alguns feriados foram eliminados, particularmente os religiosos, de modo a diminuir a influência da  Igreja Católica e com o objectivo de consolidar a laicização da sociedade.
O decreto que definia os feriados nacionais dava ainda a possibilidade dos municípios e concelhos escolherem um dia do ano que representasse as suas festas tradicionais e municipais.  Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões, uma vez que a data é apontada como sendo a da morte do poeta.
O 10 de Junho começou  por ser apenas um feriado municipal para passar a ser particularmente exaltado com o Estado Novo. Foi a partir desse período que o dia de Camões passou a ser festejado a nível nacional.  Até ao 25 de Abril, o 10 de Junho era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça, este último epíteto criado por Salazar na inauguração do  Estádio Nacional do Jamor em 1944. A partir de 1978 este dia fica designado como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.


Luís de Camões e o 10 de Junho

Nome: Luís Vaz de Camões
Nascimento: 1524 ou 1525
Morte: 10-6-1580

Poeta português, filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá e Macedo, Luís Vaz de Camões terá nascido por volta de 1524/1525, não se sabe exatamente onde, e morreu a 10 de junho de 1580, em Lisboa. Pensa-se que estudou Literatura e Filosofia em Coimbra, tendo tido como protetor o seu tio paterno, D. Bento de Camões, frade de Santa Cruz e chanceler da Universidade. Tudo parece indicar que pertencia à pequena nobreza.
Atribuem-se-lhe vários desterros, sendo um para Ceuta, onde se bateu como soldado e em combate perdeu o olho direito - perda referida na Canção Lembrança da Longa Saudade - e outro para Constância, entre 1547 e 1550, obrigado, diz-se, por ofensas a uma certa dama da corte.
Depois de regressado a Lisboa, foi preso, em 1552, em consequência de uma rixa com um funcionário da Corte, e metido na cadeia do Tronco. Saiu logo no ano seguinte, inteiramente perdoado pelo agredido e pelo rei, conforme se lê numa carta enviada da Índia, para onde partiu nesse mesmo ano, quer para mais facilmente obter perdão quer para se libertar da vida lisboeta, que o não contentava.
Segundo alguns autores, terá sido por essa altura que compôs o primeiro canto de Os Lusíadas.
Na Índia parece não ter sido feliz. Goa dececionou-o, como se pode ler no soneto Cá nesta Babilónia donde mana. Tomou parte em várias expedições militares e, numa delas, no Cabo Guardafui, escreveu uma das mais belas canções: Junto dum seco, fero e estéril monte. Viajou de seguida para Macau, onde exerceu o cargo de provedor-mor de defuntos e ausentes, e escreveu, na gruta hoje reconhecida pelo seu nome, mais seis Cantos do famoso poema épico. Voltou a Goa, naufragou na viagem na foz do Rio Mecom, mas salvou-se, nadando com um braço e erguendo com o outro, acima das vagas, o manuscrito da imortal epopeia, facto documentado no Canto X, 128. Nesse naufrágio viu morrer a sua "Dinamene", rapariga chinesa que se lhe tinha afeiçoado. A esta fatídica morte dedicou os famosos sonetos do ciclo Dinamene, entre os quais se destaca Ah! Minha Dinamene! Assim deixaste. Em Goa sofreu caluniosas acusações, dolorosas perseguições e duros trabalhos, vindo Diogo do Couto a encontrá-lo em Moçambique, em 1568, "tão pobre que comia de amigos", trabalhando n'Os Lusíadas e no seu Parnaso, "livro de muita erudição, doutrina e filosofia", segundo o mesmo autor.
Em 1569, após 16 anos de desterro, regressou a Lisboa, tendo os seus amigos pago as dívidas e comprado o passaporte. Só três anos mais tarde conseguiu obter a publicação da primeira edição de Os Lusíadas, que lhe valeu de D. Sebastião, a quem era dedicado, uma tença anual de 15 000 réis pelo prazo de três anos e renovado pela última vez em 1582 a favor de sua mãe, que lhe sobreviveu.
Os últimos anos de Camões foram amargurados pela doença e pela miséria. Reza a tradição que se não morreu de fome foi devido à solicitude de um escravo Jau, trazido da Índia, que ia de noite, sem o poeta saber, mendigar de porta em porta o pão do dia seguinte. O certo é que morreu a 10 de junho de 1580, sendo o seu enterro feito a expensas de uma instituição de beneficência, a Companhia dos Cortesãos. Um fidalgo letrado seu amigo mandou inscrever-lhe na campa rasa um epitáfio significativo: "Aqui jaz Luís de Camões, príncipe dos poetas do seu tempo. Viveu pobre e miseravelmente, e assim morreu."
Se a escassez de documentos e os registos autobiográficos da sua obra ajudaram a construir uma imagem lendária de poeta miserável, exilado e infeliz no amor, que foi exaltada pelos românticos (Camões, o poeta maldito, vítima do destino, incompreendido, abandonado pelo amor e solitário), uma outra faceta ressalta da sua vida. Camões terá sido de facto um homem determinado, humanista, pensador, viajado, aventureiro, experiente, que se deslumbrou com a descoberta de novos mundos e de "Outro ser civilizacional". Por isso, diz Jorge de Sena: "Se pouco sabemos de Camões, biograficamente falando, tudo sabemos da sua pessoa poética, já que não muitos poetas em qualquer tempo transformaram a sua própria experiência e pensamento numa tal reveladora obra de arte como a poesia de Camões é."
A 10 de junho, comemora-se o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

Bibliografia: Os Lusíadas, 1572; Anfitriões, 1587; Filomeno, 1587; El-Rei Seleuco, 1645; Composições em medida velha; Composições em medida nova; Epístolas

Luís de Camões. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.



domingo, 5 de junho de 2011

O Impressionismo

Embora resultante de uma experiência espontânea e localizada, desenvolvida por alguns pintores franceses no final de oitocentos, o Impressionismo rapidamente ganhou uma dimensão internacional, expandindo-se simultaneamente a outras manifestações artísticas, como a fotografia, a literatura, a filosofia, a música, entre outras. Testemunham-no as obras de carácter impressionista do compositor francês Claude Debussy, do escritor Marcel Proust e do filósofo Friedrich Nietzsche.
Algumas das principais características da estética impressionista, desenvolvidas a partir das experiências precursoras no campo pictórico, denunciam a tendência para o abandono da linguagem ilusionista e objetiva que caracterizava a produção artística académica e oficial, a tentativa de fixar e transmitir a aparência superficial e momentânea da realidade, a dissolução das formas tradicionais, o que anuncia tanto o fim das tendências revivalistas e neorromânticas como o eclodir das linguagens modernas, ligadas ao culto da personalidade criadora e do subjetivismo linguístico.
Efeitos particulares de cor e de luz são os elementos procurados pelos pintores, mais voltados para quadros de exterior, onde os contornos dos objetos são esfumados. A designação justifica-se porque é evidente a valorização da impressão pura, sem mostras de intelectualização, procurando atingir mais o efeito do que a causa da sensação visual.

Artes Plásticas
Os artistas que fundaram o grupo impressionista encontravam-se, durante a década de sessenta do século XIX, em Paris, onde estudavam pintura em diferentes academias e ateliers. Entre eles contavam-se Pissaro, Manet, Degas, Cézanne, Sysley, Monet, Renoir e Bazille.
Abandonando a linguagem académica do estilo oficial assim como os temas tradicionais ligados à representação de cenas históricas ou religiosas, os primeiros trabalhos destes artistas denunciavam uma direta filiação na estética naturalista do grupo de Barbizon, liderado pelo influente pintor de paisagens Gustave Courbet. Destes artistas retomam a preferência por temáticas ligadas à paisagem ou ao quotidiano (geralmente relacionadas com a natureza) assim como o gosto pela observação direta e pela prática da pintura ao ar livre.
Ainda durante a década de 60, os pintores impressionistas instalaram-se junto à costa, procurando as praias luminosas ao longo do Canal da Mancha, onde desenvolveram pinturas cada vez mais coloridas e fluidas onde transparecem de forma evidente algumas das pesquisas cromáticas dos pintores ingleses Turner e Constable.
Se os anos sessenta constituíram, para estes pintores, um período de pesquisa intensa em clima de franca colaboração, a década seguinte permitiu a fixação de algumas das coordenadas fundamentais da estética impressionista, de que resultaram uma maior aproximação estética e uma identificável unidade de estilo.
As exposições coletivas que o grupo realizou em Paris, geralmente à margem dos Salões oficiais, provocaram forte e indignada reação por parte da opinião pública e dos críticos de arte, ainda imbuídos de um gosto académico de tradição beauxartiana. Numa destas exposições, o jornalista Leroy, um crítico hostil, designou este grupo por impressionistas, termo que derivou de uma tela de Claude Monet intitulada "Impressão, sol nascendo". Reconhecendo a involuntária "perspicácia" do crítico, de imediato os artistas aceitaram e adotaram este nome para o grupo.
De entre as principais características gramaticais e formais que ressaltam das obras deste período, salientam-se a tendência para a fragmentação das figuras e dos objetos, a textura densa, a decomposição cromática nos tons puros do espetro e o uso de cores complementares para definir o claro-escuro. Em síntese, uma tentativa de traduzir a realidade através da exaltação empírica e sensual dos valores cromáticos e lumínicos (a partir dum maior conhecimento do fenómeno percetivo, possibilitado pelos progressos científicos ao nível da ótica e da psicologia da visão), exemplarmente representada pelas séries de quadros que Monet pintou, sobre o mesmo tema, explorando diferentes condições de luz.
Para além das representações de paisagens e de momentos simples do quotidiano, alguns pintores, como Renoir e Degas, encontram motivo de inspiração noutros temas ligados à vida urbana e ao mundo do espetáculo (cafés, teatros, salões de baile). Testemunham-no alguns ousados trabalhos a pastel de Degas, influenciados pela obra de Ingres.
A partir de finais dos anos 70, ao mesmo tempo que o movimento se expandia a novas geografias (para além dos países europeus, conheceu um importante desenvolvimento nos Estados Unidos da América), acentuaram-se as divergências estéticas entre os artistas fundadores do grupo, que, gradualmente, vão estabelecendo percursos autónomos. Perdendo a homogeneidade de programa e de orientações técnicas e formais que caracterizou a produção dos anos 60, o Impressionismo diluiu-se em inúmeras interpretações e linguagens pessoais.
Esta dispersão foi reforçada, a partir de 1880, com a chegada ao grupo de pintores jovens, como Georges Seurat, Vincent Van Gogh, Paul Gauguin e Toulouse-Lautrec, cujas orientações estéticas foram responsáveis pela própria desagregação do movimento, pela tentativa de intelectualização cientifista dos princípios empíricos que caracterizaram a pintura impressionista.
Apesar de condenado (pelo menos aparentemente) pelos movimentos que se lhe seguiram, como o Simbolismo, o Pós-impressionismo e o Expressionismo, o Impressionismo foi responsável pela abertura de novos caminhos para a arte que permitiram o desenvolvimento das principais correntes estéticas do século XX.
A influência do Impressionismo no contexto artístico português foi pontual e reduzida. A produção pictórica nacional de final de oitocentos, que teve como protagonistas, Silva Porto, José Malhoa e Oliveira Marques, entre outros, encontrava-se fortemente dominada pelas correntes naturalistas de influência francesa (através da assimilação da obra dos artistas da Escola de Barbizon). De entre os poucos trabalhos que denunciam mais claramente a filiação nos princípios estéticos do Impressionismo salientam-se algumas pinturas de José Malhoa, como a tela À beira-mar ou os excelentes trabalhos que Henrique Pousão realiza em Itália, no fim da sua curta vida, como As casa brancas de Capri ou Mulher da Água.

Impressionismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. 


sábado, 4 de junho de 2011

O Realismo na Pintura

 O Realismo foi um movimento  artístico e literário surgido nas últimas décadas do  século XIX na Europa, mais especificamente em França como reacção ao  Romantismo.
A pintura do Realismo começou por manifestar-se no tratamento da paisagem, que se despiu da exaltação e personificação românticas para ter como objectivo, simplesmente, a reprodução desapaixonada e neutra, do que se oferece à vista do artista. Passou, depois, aos temas do quotidiano, que tratou de forma simples e crua.
Foi em  França que a pintura realista teve particular importância, contado com grandes nomes como:  Camille Corot, impulsionador do paisagismo , Jean François Millet e Honoré Daumier que representaram o dia - a- dia dos camponeses e dos operários das cidades.



quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nicolau II da Rússia

Último monarca da longa dinastia dos Romanov e derradeiro czar da Rússia, Nicolau II ascendeu ao trono em 1894, com 26 anos, sucedendo a Alexandre III.
Pautou-se por uma política absolutista, por vezes mesmo cruel, o que leva muitos historiadores a considerá-lo um monarca a quem faltava sentido político. Os desastres na guerra contra o Japão (1904-1905) suscitaram o descontentamento, que se viria a alastrar com a entrada da Rússia na Primeira Guerra Mundial. O país encontrava-se fortemente marcado pelas desigualdades, causadoras de grande revolta nas classes operárias, já fortemente influenciadas pelas ideias comunistas, que faziam greves incontroláveis.
A situação, de facto, era propícia a uma mudança radical. Em fevereiro de 1917, dava-se a Revolução Russa. Os revolucionários responsabilizaram o monarca pela repressão das manifestações populares, e a 3 de março de 1917 Nicolau II viu-se forçado a abdicar do trono. Era, aliás, uma decisão apoiada pela Alemanha, que desejava ver a Rússia fora do palco da guerra.
Juntamente com a czarina, os filhos e os servidores pessoais, Nicolau II foi assassinado pelos bolcheviques no período da guerra civil, em 1918. Durante muitos anos, circularam lendas que evocavam a sobrevivência de alguns membros da família. Foi preciso esperar pela década de 90 para que os cientistas provassem, através de análises ao ADN, que os restos descobertos do czar e da sua família lhes pertenciam efetivamente, e que ninguém sobrevivera.

Nicolau II. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-05-19].


Nicolau II da Rússia

Guilherme II da Prússia

Guilherme II é filho do imperador Frederico III e neto de Guilherme I. Foi rei da Prússia e imperador da Alemanha de 1888 a 1918. Era um militarista entusiasta, com um conhecimento profundo dos problemas sociais, filosóficos e religiosos. Dado que não concordava com a política estrangeira de Bismarck, demite-o e substitui-o por Capuivi (1890), dando assim início ao "novo rumo", que propunha dar à Alemanha o almejado prestígio mundial. Guilherme II preconizava a política internacional como missão, a criação de uma grande potência como objetivo e a construção de uma poderosa esquadra como instrumento.
As indústrias químicas, metalúrgicas e carboníferas aperfeiçoam-se e tornam-se as primeiras do mundo. Durante algum tempo, a paz interna é abalada pelas lutas sociais e os conflitos provocados pelas minorias étnicas. Entre 1890 e 1896, as relações com Inglaterra são tensas devido às ambições coloniais do imperador em África, tentando uma aproximação com a França (1904) e com a Rússia (1905), mas esta tentativa não foi em vão. Como forma de se prevenirem do poderio alemão, a Grã-Bretanha, a França e a Rússia fazem um acordo (1907) de mútua defesa em caso de guerra (Tríplice Entendimento). Como resposta a este acordo, Guilherme II faz um acordo semelhante com o império austro-húngaro e Itália (1912), aumentando assim o poderio do exército e da marinha. Em 1914, põe-se ao lado dos austro-húngaros na contenda com a Sérvia, e declara guerra à Rússia e à França. começa assim a Primeira Guerra Mundial. Guilherme II, após a derrota e revolta do seu exército, refugia-se em Doorn, mas não abdica do trono.

Guilherme II da Prússia. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. 
 
 

Francisco José I da Áustria

Imperador da Áustria de 1848 a 1916 e rei da Hungria entre 1867 e 1916. Neto do imperador Francisco I da Áustria (ou Francisco II, último imperador do Sacro-Império Romano-Germânico, entre 1792 e 1806), era filho do arquiduque Francisco Carlos, segundo filho de Francisco I da Áustria e irmão do sucessor deste, Fernando I (1835-1848), o qual sofria de problemas mentais e abdicou a favor do sobrinho em 1848. Nasceu Francisco José I em Viena, a 18 de agosto de 1830, no palácio de Schönbrunn. Adotou um estilo de vida austero, apesar do luxo do palácio Schönbrunn, embora mantivesse na corte um ambiente fausto de uma etiqueta estrita e de grandiosas cerimónias. Não possuindo a envergadura de um homem de Estado, demonstrou parcialidade na sua governação do império.
Em 1849 restabeleceu a dominação austríaca na Lombardia e na Hungria, beneficiando do apoio da Rússia. Tentou reorganizar o seu império sob o sistema do federalismo. Aliou-se à Alemanha na guerra dos Schleswig-Holstein e Duchés (1863-1865). O triunfo da Prússia (1866) eliminou definitivamente os Habsburgos da política alemã e obrigou Francisco José a fazer concessões substanciais à Hungria. Em 1867 o império ficou sob o regime dualista, no qual a Hungria era reconhecida como Estado igual ao da Áustria, unidos sob o mesmo monarca.
O esforço de manter unido o império refletiu-se nos acontecimentos familiares: a execução do seu irmão Maximiliano no México (1867); a morte em circunstâncias mal conhecidas do seu único filho, o arquiduque Rodolfo, herdeiro do trono (1889); o assassinato da sua mulher, a imperatriz Isabel (a famosa e trágica Sissi) por um anarquista em Genebra (1898) e o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, seu sobrinho e herdeiro, por um sérvio quando visitava Sarajevo. Este último acontecimento viria a desencadear a Primeira Grande Guerra.
Francisco José, último grande monarca da grande família aristocrática germânica dos Habsburgos, morreu em Viena a 21 de novembro de 1916, dois anos depois de o seu império entrar em derrocada total, no decurso da Primeira Guerra Mundial.
Francisco José I. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. 
 
 
Francisco José I em 1853
 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Os vídeos que estão na ordem do dia

O que os Finlandeses precisam de saber acerca de Portugal
O que os Portugueses precisam de saber acerca da Finlândia


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Indicadores de Aprendizagem

  1. Caracterizar a expansão da Revolução Industrial.
  2. Descrever a geografia da industrialização.
  3. Caracterizar as debilidades do livre - cambismo.
  4. Explicar os motivos da explosão populacional.
  5. Descrever os moldes em que aconteceu a expansão urbana.
  6. Demonstrar a unidade e diversidade da sociedade oitocentista.

sábado, 23 de abril de 2011

Os Ovos Fabergé

Os Ovos Fabergé são obras-primas da joalharia realizadas por Peter Carl Fabergé e os seus assistentes no período de 1885 a 1917 para os czares da Rússia.Os ovos, cuidadosamente elaborados com uma combinação de esmalte, metais e pedras preciosas, escondiam surpresas e miniaturas encomendados e oferecidos na  Páscoa entre os membros da família imperial russa. 
A Páscoa é a mais importante festa do calendário da  Igreja Ortodoxa Russa – a tradição “pede” troca de ovos de galinha decorados (como símbolo de esperança e vida renovada) e três beijos na comemoração. 
Foi na Páscoa de 1885 que o czar Alexander III resolveu inovar. Ele encomendou a Fabergé, joalheiro oficial da corte imperial russa desde 1882, o presente para sua esposa, a czarina Maria Feodorovna.
A partir de então, Fabergé passou a receber a encomenda de um novo presente a cada ano, com a condição de que a peça fosse única e contivesse, no seu interior, uma surpresa inesquecível para a Imperatriz.
Com grande criatividade e talento técnico, Fabergé anualmente superava o desafio, buscando inspiração em factos da vida do casal imperial. Os motivos tornaram-se temáticos: cenas da história da Rússia, a inauguração da estrada de ferro que ligava Moscovo à Sibéria e actos de bravura dos militares.
Assim que um tema era escolhido, uma equipa de artesãos - dentre os quais Michael Perkhin, Henrik Wigström e Erik August Kollin - começava a trabalhar no projecto. Dezenas de clientes particulares apareceram com fama despertada pelos ovos imperiais.
Dos 65 ovos Fabergé grandes conhecidos, existem apenas 57. Dez dos Ovos Imperiais de Páscoa estão expostos no Palácio do Arsenal do Kremlin, em Moscovo.
Após a Revolução de 1917, a ‘’Casa Fabergé’’ foi nacionalizada pelos bolcheviques e a família Fabergé fugiu para a  Suiça onde Peter Carl Fabergé faleceu em 1920. Todos os palácios dos Romanov foram saqueados e os seus tesouros foram removidos por ordem de  Lenine e levados para o Palácio do Arsenal do Kremlin.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Romantismo na Música

A Era Romântica é um período da história da música que se convenciona classificar entre 1815 até o início do  século XX. Designa ainda qualquer música escrita durante esse período e que se enquadra dentro das normas estéticas do Período Romântico. Foi precedida pelo  classicismo e sucedido pelas tendências modernistas.
A época do romantismo musical coincide com o romantismo na Literatura, Filosofia e Artes Plásticas. A ideia geral do romantismo é que certas realidades só poderiam ser captadas através da emoção, do sentimento e da intuição. Por essa razão, a música romântica é caracterizada pela maior flexibilidade das formas musicais e procurando focar mais o sentimento transmitido pela música do que propriamente a estética, ao contrário do Classicismo.
Entre os principais autores românticos destacam-se Beethoven, Chopin, Franz Liszt e Richard Wagner. Apoiando-se em temas de grandes criadores literários, como Shakespeare, Walter Scott, Victor Hugo, Byron ou mesmo a Antiguidade Clássica, desenvolve-se a Grande Ópera. São românticos alguns dos expoentes do género: Rossini, Berlioz, Puccini além de Verdi e Wagner.



Sonho  de Amor - Franz Liszt

domingo, 27 de março de 2011

O Romantismo

O Romantismo foi um movimento artístico,  político e  filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que perdurou por grande parte do  século XIX.Caracterizou-se como uma  visão do mundo contrária ao racionalismo que marcou o período neoclássico e valorizou um  nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa.
Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos e ideais utópicos. Se o século XVIII foi marcado pela objectividade, pelo  Iluminismo e pela Razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela  subjectividade, pela emoção e pelo eu.
O Romantismo surge inicialmente na Alemanha e na Inglaterra. Na Alemanha, o Romantismo,teria uma importância fundamental  na unificação germânica com o movimento  Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto).
Entre as principais característcas do Romantismo destacam-se:
O Individualismo
Os românticos libertam-se da necessidade de seguir formas reais de intuito humano, abrindo espaço para a manifestação da individualidade, muitas vezes definida por emoções e sentimentos.

A Subjectividade
O romancista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. A subjectividade pode ser notada através do uso de verbos na primeira pessoa. Trata-se sempre de uma opinião parcelada, dada por um individuo que baseia sua perspectiva naquilo que as suas sensações captam.

O Gosto pela Idade Média
Alguns românticos  interessavam-se pela origem do seu povo, da sua língua e do seu próprio país. O cavaleiro fiel à pátria  é um  modo de retratar a cultura de seu país. O cenário de muitos romances desta época decorre na Idade Média.

O Egocentrismo
Como o nome já diz, é a colocação do eu no centro de tudo. Vários artistas românticos colocam, nos seus poemas e textos, os seus sentimentos acima de tudo, destacando-os na obra. Pode-se dizer, talvez, que o egocentrismo é um subjectivismo exagerado.

Inspiração em Lord Byron
Inspirado na vida e na obra de  Lord Byron, poeta inglês. O byronismo é caracterizado pelo narcisismo, pelo egocentrismo, pelo pessimismo, pela angústia.

A busca pelo exótico, pelo inóspito e pelo selvagem formaria outra característica fundamental do Romantismo. Exaltavam-se as sensações extremas, os paraísos artificiais, a natureza no seu aspecto mais bruto. Lançar-se em "aventuras" ao embarcar em navios com destino aos pólos, por exemplo, tornou-se uma forma de inspiração para alguns artistas. O pintor inglês  William Turner reflectiu este espírito em obras como  Mar de Tempestade onde o retrato de um fenómeno da Natureza é usado como forma de atingir os sentimentos supracitados.
 Em Portugal o Romantismo teve como marco inicial a publicação do poema "Camões", de Almeida Garrett, em 1825, e durou cerca de 40 anos terminando por volta de 1865 com a Questão Coimbrã.
A Primeira Geração do Romantismo em Portugal vai de 1825 a 1840.  Os seus principais autores são Almeida Garrett, Alexandre Herculano e António Feliciano de Castilho.


Joseph Mallord William Turner

sexta-feira, 11 de março de 2011

Preparação da Visita de Estudo a Lisboa

Paula Rego (Representada no Museu Berardo)
Paula Rego iniciou seus estudos no Colégio Integrado Monte Maior,seguindo para a  St Julian s Scholl onde os professores cedo lhe reconheceram o talento. Partiu para  Londres, onde estudou  até 1956. Conheceu o pintor Victor Willing , com quem se casou em 1959. Em Londres, conheceu o pintor Jean Dubuffet que se revelou uma referência determinante na sua criação artística,definida como  Arte Bruta.
Na década de 1970, torna-se bolseira da  Fundação Calouste Gulbenkian para fazer pesquisa sobre contos infantis. A obra literária de  George Orwell inspira-a no painel Muro dos Proles (1984), com mais de seis metros de comprimento, onde estabelece um paralelismo com as figuras de  Hieronymus Bosh.
A pintura de Paula Rego não pode ser classificada como conservadora ou académica, mesmo se ela vem sendo um exercício de reaprendizagem dos meios de expressão pictural, reapropriando-se da possibilidade da representação humana e aprofundando os recursos da volumetria ilusionística do quadro, em contacto com as lições dos mestres antigos e de alguns contemporâneos. «O naturalismo está muito fora de moda, mas eu não me importo», refere Paula Rego.




quinta-feira, 10 de março de 2011

Preparação da Visita de Estudo a Lisboa

Museu Berardo
O Museu Colecção Berardo é um museu de Arte Moderna contemporâna criado como Fundação de Arte Moderna e Contemporânea para albergar a denominada Colecção Berardo. Está instalado no Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém com um acervo composto por 862 obras, em exposição permanente e exposições temporárias.
O museu foi inaugurado em 25 de Junho de 2007.
A programação do museu é orientada pela rotação dos diversos movimentos artísticos que integram o conjunto de obras da colecção avaliado pela leiloeira Christie s em 316 milhões de euros. O espólio do museu é representativo das artes plásticas do século XX início do século XXI. A colecção percorre movimentos importantes desde o Surrealismo, a Pop Art, o  Hiper -realismo, a Arte minimalista, a Arte conceptual, apresentados em suportes variados.
Reconhecida internacionalmente esta colecção permite acompanhar os movimentos artísticos marcantes do século XX e XXI, composta por mais de setenta correntes artísticas de marcado teor museológico e educativo.
video

quarta-feira, 9 de março de 2011

Preparação da Visita de Estudo a Lisboa

Palácio Nacional de Queluz

O Palácio Nacional de Queluz data do século XVIII e está localizado em Queluz no concelho de  Sintra. Trata-se de um dos últimos grandes edifícios em estilo Rococó construídos na Europa, o palácio foi construído como um recanto de verão para D. Pedro III.
Serviu como um discreto lugar de encarceramento para a rainha Maria I quando a sua loucura continuou a piorar após a morte de D. Pedro em 1786. Após o incêndio que atingiu o Palácio da Ajuda em 1794, o Palácio de Queluz tornou-se a residência oficial do príncipe regente, o futuro D.João VI, e da sua família.
A construção do Palácio iniciou-se em 1747, tendo como arquitecto Mateus Vicente de Oliveira.
Desde sempre concebido como um Palácio de Verão, a Queluz acorria frequentemente a Corte para assistir aos festejos e serenatas. Eram especialmente animados os dias de S. João e S. Pedro, festejados no mês de Junho, coincidindo o último com a celebração onomástica de D. Pedro III, logo seguida, a 5 de Julho, pelas comemorações do seu próprio aniversário Grande parte dos festejos, tinham lugar nos jardins e incluíam fogo de artifício, jogos equestres e combate de touros, entre outros divertimentos.
Eram inúmeras as fontes de divertimento em Queluz, sobretudo nos anos que medeiam entre 1752 e 1786, ocupando sempre a música um papel central, ainda na época do Príncipe Regente. Antes e depois da construção da Casa da Ópera, em 1778, aqui se tocaram dezenas de serenatas e óperas, na sua maioria inspiradas em temas da mitologia clássica. Músicos como  Domenico Scarlatti, João Carvalho da Silva, João de Sousa Carvalho,  Luciano Xavier dos Santos ou Marcos Portugal viram aqui tocadas as suas obras. Muitos estrangeiros tiveram igualmente ocasião de expor os seus talentos no Palácio perante a Família Real e a Corte. Em Agosto de 1781, Francisco Farinelli, "castrati" que mais tarde alcançaria grande notoriedade como soprano, fez aqui a sua prova de músico. A época áurea da música em Queluz terminou em 1786, com a morte de D. Pedro III.
 A vitória liberal de D. Pedro IV sobre o irmão  D. Miguel, logo seguida da morte do primeiro no Quarto D. Quixote em Queluz, num ambiente de grande simbolismo e dramatismo romântico, representa o fim de uma época para Queluz.




terça-feira, 8 de março de 2011

Preparação da Visita de Estudo a Lisboa

Palácio Convento de Mafra

Obra central do reinado de D. João V, o Palácio-Convento de Mafra é um projeto colossal do Barroco português setecentista. Os seus números são impressionantes, como o testemunha a sua imensa área de aproximadamente 40 000 m2, a sua fachada nobre com 232 metros, os seus 29 pátios e 880 salas e quartos, as suas 4500 portas e janelas ou ainda as 217 toneladas que pesam os 110 sinos do seu famoso carrilhão.
A fundação deste mosteiro de frades arrábidos deveu-se a uma promessa feita por D. João V, caso a rainha fosse bem sucedida na conceção de um filho que tardava. Este promessa cumpriu-se em 1711, ano em que nasceu a princesa Maria Bárbara, a primogénita da descendência do Magnânimo. O projeto inicial estava dimensionado para acolher treze frades arrábidos, mas no final da construção albergou mais de 300. Com efeito, o número de frades e a dimensão do empreendimento sofreram um grande incremento.
No entanto, o projeto de Mafra só se iniciou a 17 de novembro de 1717, realizando-se a sua sagração em 1730. As obras prosseguiram até 1737, altura em que o convento mafrense se encontrava praticamente concluído. Acrescentos posteriores vieram enriquecê-lo com obras de arte e a criação de outras dependências, como foi o caso da notável biblioteca conventual. Os planos de Mafra são entregues a João Frederico Ludovice, arquiteto-ourives alemão e que se formou no atelier romano de Carlo Fontana.
Mafra ordena-se em torno de dois retângulos articulados: o principal integra-se na vila e compreende a igreja, o palácio, dois claustros, o refeitório e outras dependências. O secundário está virado para a Tapada e articula as celas conventuais, as oficinas e a Casa da Livraria.
A frontaria é marcada pela dicotomia entre palácio e igreja, convergindo as duas alas na axial Sala das Bênçãos. A igreja ergue-se no centro da fachada, delimitada por duas altas e esbeltas torres sineiras de cobertura bolbosa e linhas sinuosas. O seu acesso é feito por imponente escadaria e por diversas rampas. A fachada do templo dispõe-se em dois majestosos andares, coroados por poderoso frontão triangular. O andar térreo afirma uma galilé de três portais, enquanto o piso superior é marcado por diversas janelas de
frontão curvo e triangular. Estas aberturas são ladeadas por estátuas inseridas em nichos, ritmadas por altas colunas jónicas em mármore branco. A estatuária da entrada foi realizada por artistas italianos setecentistas, dos quais se podem destacar Monaldi, Baratta e Battista Maini.
Para cada um dos lados da igreja estendem-se os corpos retangulares e tripartidos do palácio, terminando nos ângulos por dois torreões de cobertura bolbosa, inspirados na antiga Casa da Índia do Terreiro do Paço lisboeta, destruída no terramoto de 1755.
O interior da igreja é grandioso e equilibrado, dividido em três naves e seis capelas laterais comunicantes, com transepto bem saliente. Harmoniosamente decorada, nela se pode observar um jogo colorido de mármores italianos e portugueses, em articulação com a pedra do monumento.
As pinturas dos altares deterioraram-se em meados do século XVIII, sendo substituídas por composições marmóreas relevadas, obra de escultores italianos dirigidos por Alessandro Giusti. Este escultor romano introduziu a gramática decorativa rocaille e deixou uma operosa escola de discípulos portugueses, entre os quais se destacam os escultores Joaquim Machado de Castro e José de Almeida.
A igreja é bem iluminada, sendo magistral a cúpula que se ergue no cruzeiro do transepto. Elevado pelo alto tambor, o zimbório forma uma cúpula perfeita rasgada por amplas janelas. Também a capela-mor e as colaterais são profusamente iluminadas, realçando o encanto dos seus mármores policromos. De grandes dimensões, o altar-mor apresenta uma enorme tela pintada, encimada por um Cristo crucificado.
No topo da entrada situa-se a galeria real, local onde a família real assistia ao ofício divino e onde se situam as três janelas da Sala da Bênção.
O cenóbio possui diversas dependências que integram o museu do Palácio Nacional de Mafra, enquanto outras foram reconvertidas para acolherem a Escola Prática de Infantaria. Nestas áreas destacam-se algumas dependências pela sua qualidade artística.
Na ala sul, a Casa do Capítulo, verdadeira joia da arquitetura barroca, é uma sala elíptica, de cantaria
branca, azul e vermelha, e teto apainelado. Curiosa e surpreendente é toda a área conventual, memória da vivência monástica da comunidade dos ascetas frades arrábidos.
Entre as inúmeras dependências, o realce vai para a Casa da Livraria, obra de excecional qualidade executada por Manuel Caetano de Sousa entre 1771 e 1794. Equilíbrio, monumentalidade e clareza são alguns dos atributos desta imensa biblioteca rocaille, reunindo nos seus dois andares de estantes alguns dos mais notáveis livros impressos - fundo bibliográfico que conta com cerca de 40 000 exemplares.

Palácio-Convento de Mafra. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

 

domingo, 6 de março de 2011

Costa Cabral

Político português, António Bernardo da Costa Cabral nasceu a 9 de maio de 1803, em Fornos de Algodres, e morreu a 1 de setembro de 1889, na Foz do Douro. Terminou o curso de Direito na Universidade de Coimbra em 1823. Exerceu advocacia em Celorico da Beira (1826) e em Nelas (1828).
De formação liberal, aderiu à causa constitucional logo nos primeiros embates entre liberais e absolutistas, sofrendo as consequências da reação miguelista o que o obrigou, após a Belfastada (nome por que ficou conhecido um dos episódios da revolta do Porto de 1828 contra D. Miguel, aquando da restauração do absolutismo), a exilar-se no estrangeiro. Consegue refugiar-se na Galiza e daí passar para a Inglaterra e Bélgica.
Regressou aos Açores, último reduto dos liberais, e participou na expedição liberal de D. Pedro IV (1832).
No ano seguinte é enviado por D. Pedro aos Açores como juiz de Relação, onde se manteria por três anos.
Eleito deputado por aquele arquipélago, ingressa nas fileiras da oposição e adere, como convicto defensor, à Revolução de setembro de 1836. Desempenhou um papel ativo na Belenzada e na luta contra a Revolta dos Marechais. Nomeado administrador-geral de Lisboa, vai empreender uma enérgica luta para a dissolução das milícias populares da Guarda Nacional que, tendo desempenhado um importante papel no Setembrismo, se tornaram num constante foco de agitação pública.
Após a entrada em vigor da Constituição de 1838, foi de novo deputado e, pela primeira vez, ministro (1839), ocupando a pasta da Justiça.
A Constituição de 1838 revela-se incapaz de repor a ordem no país, pelo que Costa Cabral evolui, politicamente, do setembrismo para o cartismo, ou seja, para uma posição mais moderada. Assim, em janeiro de 1842, desloca-se ao Porto a pretexto de assuntos particulares, onde desembarca em 19 de janeiro. Volvidos poucos dias, em 27 de janeiro, Costa Cabral encabeça o pronunciamento militar que visa a restauração da Carta Constitucional.
No fundo, declara guerra ao governo de Lisboa e lidera um golpe de estado para derrubar um governo do qual faz parte e uma Constituição que jurara defender. Organiza no Porto uma Junta Provisória de Governo, cujo primeiro ato foi um manifesto aos portugueses, no qual, em nome da rainha derruba a Constituição de 38 e restaura a Carta Constitucional.
Logo em fevereiro de 1842, foi chamado ao Governo como ministro do Reino. Em 1844, dá-se a primeira sublevação militar contra a política cabralista em Torres Novas, chefiada pelo conde de Bonfim, que foi dominada por forças fiéis ao governo. Mantém-se no poder até abril de 1846, altura em que o movimento da Maria da Fonte o obriga a exilar-se.
Regressado do exílio, voltaria a presidir, pela última vez, ao Ministério (1849). No seu regresso encontrou mais violenta oposição do que nunca, pelo que viria a ser apeado em 1851, pela revolta do marechal Saldanha, conhecida por Regeneração.
A partir da Regeneração, a sua ação política decaiu definitivamente, tendo-se dedicado à carreira diplomática. Foi ministro plenipotenciário no Brasil, onde desempenhou um notável papel na resolução de dificuldades aduaneiras que quase impossibilitavam a entrada dos vinhos portugueses no mercado brasileiro.
Em 1870, na sequência de um grave incidente entre Portugal e o Vaticano, é convidado por
Saldanha para chefiar a nossa legação na Santa Sé.
Em 1845, foi feito conde de Tomar e, em 1878, o seu título foi elevado ao grau de marquês.
Costa Cabral, apesar de criticado pelos seus coevos (nas cortes, nos jornais, etc.), consegue liderar o país durante este delicado período da História de Portugal, da difícil passagem do absolutismo ao constitucionalismo e ao progresso material.
Tomou um conjunto de importantes medidas, das quais se destacam: a publicação do novo Código Administrativo (1842), a reorganização da Guarda Nacional (1842), a reforma das Câmaras Municipais (1842-43), as reformas dos estudos liceais, medidas de fomento do reino, como a abertura de estradas, e obras sumptuárias, como a construção do Teatro D. Maria II.
No entanto, não obstante as fortes críticas de que era alvo Costa Cabral, após a queda da política cabralista, não há alterações de relevo da política portuguesa subsequente, sobretudo na vertente económica. Isto porque a especulação financeira e o fomento material vêm já do período cabralista e após a sua queda há uma mera continuação. Por outro lado, o grupo social que está por trás da política cabralista - a nova aristocracia liberal que prospera a partir da compra de bens nacionais provenientes da extinção das ordens religiosas em 1834 - é o mesmo que está por trás da política subsequente.
O que mudou foi antes uma forma de governar, e não os objetivos a atingir. São processos mais hábeis e astuciosos de governação, de aspeto diferente, mais subtil e mais popular.


António Bernardo da Costa Cabral. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
 
 

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Carta Constitucional

Após a morte de D. João VI em 10 de Março de 1826, D. Pedro, legítimo herdeiro do trono de Portugal, sendo detentor da Coroa imperial brasileira, era considerado um estrangeiro, o que, pelas leis então vigentes quanto à sucessão do trono, o tornava inelegível para o trono português.
A regência, nomeada em 6 de Março de 1826, apenas quatro dias antes da morte do rei, na pessoa da infanta D. Isabel Maria, declara D. Pedro rei de Portugal. A situação, porém, não agradava nem a portugueses nem a brasileiros. Em Portugal, muitos defendiam a legitimidade do trono para D. Miguel, irmão de Pedro.
D. Pedro procurou uma solução conciliadora. Assim, após outorgar a Carta Constitucional a Portugal (29 de Abril de 1826), abdicou em favor da sua filha D. Maria da Glória, na dupla condição de esta desposar o seu tio D. Miguel e de este jurar a Carta.
A Carta Constitucional da monarquia portuguesa baseou-se na Constituição brasileira que, por sua vez, se inspirara na Carta francesa de 1814, apoiando-se esta no sistema britânico. Há ainda, nalguns artigos, influências da Constituição de 1822. Pela sua natureza moderada, a Carta representou um compromisso entre os defensores da soberania nacional adoptada na Constituição de 1822 e os defensores da reafirmação do poder régio.
O documento estipulava um sistema monárquico, de titularidade hereditária, em que ao rei caberia a responsabilidade última do poder executivo e uma função de moderação na sociedade; divulgava a abdicação de D. Pedro; definia os princípios gerais de administração do reino, prevendo a separação dos poderes (distinguindo-se os poderes legislativo, moderador, executivo e judicial); e garantia os direitos dos cidadãos, no tocante à liberdade, à segurança individual e à propriedade.
A Carta Constitucional teve três períodos de vigência. O primeiro decorreu entre 31 de Julho de 1826 e 3 de Maio de 1828, data da convocação dos três estados do reino por D. Miguel, em oposição à Carta.
O segundo período iniciou-se em 27 de Maio de 1834, com a Convenção de Évora-Monte, que pôs termo à guerra civil entre os absolutistas de D. Miguel e os liberais de D. Pedro. A vitória destes repôs a Carta. Este período prolongar-se-ia somente até 9 de Setembro de 1836, quando a Constituição de 1822 foi reposta pela revolução de Setembro, até redacção da nova Constituição (o que viria a acontecer em 1838).
O terceiro período de vigência inicia-se com o golpe de Estado de Costa Cabral no Porto que proclamou a restauração da Carta em 27 de Janeiro de 1842. Oficialmente, a Carta reentraria em vigor em 10 de Fevereiro de 1842. Este período de vigência apenas terminaria em 5 de Outubro de 1910, com a revolução republicana.
Durante este longo período de vigência, a Carta foi alvo de três revisões - os Actos Adicionais de 1852, 1855 e 1896.
Carta Constitucional. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004.