domingo, 27 de março de 2011

O Romantismo

O Romantismo foi um movimento artístico,  político e  filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que perdurou por grande parte do  século XIX.Caracterizou-se como uma  visão do mundo contrária ao racionalismo que marcou o período neoclássico e valorizou um  nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa.
Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos e ideais utópicos. Se o século XVIII foi marcado pela objectividade, pelo  Iluminismo e pela Razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela  subjectividade, pela emoção e pelo eu.
O Romantismo surge inicialmente na Alemanha e na Inglaterra. Na Alemanha, o Romantismo,teria uma importância fundamental  na unificação germânica com o movimento  Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto).
Entre as principais característcas do Romantismo destacam-se:
O Individualismo
Os românticos libertam-se da necessidade de seguir formas reais de intuito humano, abrindo espaço para a manifestação da individualidade, muitas vezes definida por emoções e sentimentos.

A Subjectividade
O romancista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. A subjectividade pode ser notada através do uso de verbos na primeira pessoa. Trata-se sempre de uma opinião parcelada, dada por um individuo que baseia sua perspectiva naquilo que as suas sensações captam.

O Gosto pela Idade Média
Alguns românticos  interessavam-se pela origem do seu povo, da sua língua e do seu próprio país. O cavaleiro fiel à pátria  é um  modo de retratar a cultura de seu país. O cenário de muitos romances desta época decorre na Idade Média.

O Egocentrismo
Como o nome já diz, é a colocação do eu no centro de tudo. Vários artistas românticos colocam, nos seus poemas e textos, os seus sentimentos acima de tudo, destacando-os na obra. Pode-se dizer, talvez, que o egocentrismo é um subjectivismo exagerado.

Inspiração em Lord Byron
Inspirado na vida e na obra de  Lord Byron, poeta inglês. O byronismo é caracterizado pelo narcisismo, pelo egocentrismo, pelo pessimismo, pela angústia.

A busca pelo exótico, pelo inóspito e pelo selvagem formaria outra característica fundamental do Romantismo. Exaltavam-se as sensações extremas, os paraísos artificiais, a natureza no seu aspecto mais bruto. Lançar-se em "aventuras" ao embarcar em navios com destino aos pólos, por exemplo, tornou-se uma forma de inspiração para alguns artistas. O pintor inglês  William Turner reflectiu este espírito em obras como  Mar de Tempestade onde o retrato de um fenómeno da Natureza é usado como forma de atingir os sentimentos supracitados.
 Em Portugal o Romantismo teve como marco inicial a publicação do poema "Camões", de Almeida Garrett, em 1825, e durou cerca de 40 anos terminando por volta de 1865 com a Questão Coimbrã.
A Primeira Geração do Romantismo em Portugal vai de 1825 a 1840.  Os seus principais autores são Almeida Garrett, Alexandre Herculano e António Feliciano de Castilho.


Joseph Mallord William Turner

sexta-feira, 11 de março de 2011

Preparação da Visita de Estudo a Lisboa

Paula Rego (Representada no Museu Berardo)
Paula Rego iniciou seus estudos no Colégio Integrado Monte Maior,seguindo para a  St Julian s Scholl onde os professores cedo lhe reconheceram o talento. Partiu para  Londres, onde estudou  até 1956. Conheceu o pintor Victor Willing , com quem se casou em 1959. Em Londres, conheceu o pintor Jean Dubuffet que se revelou uma referência determinante na sua criação artística,definida como  Arte Bruta.
Na década de 1970, torna-se bolseira da  Fundação Calouste Gulbenkian para fazer pesquisa sobre contos infantis. A obra literária de  George Orwell inspira-a no painel Muro dos Proles (1984), com mais de seis metros de comprimento, onde estabelece um paralelismo com as figuras de  Hieronymus Bosh.
A pintura de Paula Rego não pode ser classificada como conservadora ou académica, mesmo se ela vem sendo um exercício de reaprendizagem dos meios de expressão pictural, reapropriando-se da possibilidade da representação humana e aprofundando os recursos da volumetria ilusionística do quadro, em contacto com as lições dos mestres antigos e de alguns contemporâneos. «O naturalismo está muito fora de moda, mas eu não me importo», refere Paula Rego.




quinta-feira, 10 de março de 2011

Preparação da Visita de Estudo a Lisboa

Museu Berardo
O Museu Colecção Berardo é um museu de Arte Moderna contemporâna criado como Fundação de Arte Moderna e Contemporânea para albergar a denominada Colecção Berardo. Está instalado no Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém com um acervo composto por 862 obras, em exposição permanente e exposições temporárias.
O museu foi inaugurado em 25 de Junho de 2007.
A programação do museu é orientada pela rotação dos diversos movimentos artísticos que integram o conjunto de obras da colecção avaliado pela leiloeira Christie s em 316 milhões de euros. O espólio do museu é representativo das artes plásticas do século XX início do século XXI. A colecção percorre movimentos importantes desde o Surrealismo, a Pop Art, o  Hiper -realismo, a Arte minimalista, a Arte conceptual, apresentados em suportes variados.
Reconhecida internacionalmente esta colecção permite acompanhar os movimentos artísticos marcantes do século XX e XXI, composta por mais de setenta correntes artísticas de marcado teor museológico e educativo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Preparação da Visita de Estudo a Lisboa

Palácio Nacional de Queluz

O Palácio Nacional de Queluz data do século XVIII e está localizado em Queluz no concelho de  Sintra. Trata-se de um dos últimos grandes edifícios em estilo Rococó construídos na Europa, o palácio foi construído como um recanto de verão para D. Pedro III.
Serviu como um discreto lugar de encarceramento para a rainha Maria I quando a sua loucura continuou a piorar após a morte de D. Pedro em 1786. Após o incêndio que atingiu o Palácio da Ajuda em 1794, o Palácio de Queluz tornou-se a residência oficial do príncipe regente, o futuro D.João VI, e da sua família.
A construção do Palácio iniciou-se em 1747, tendo como arquitecto Mateus Vicente de Oliveira.
Desde sempre concebido como um Palácio de Verão, a Queluz acorria frequentemente a Corte para assistir aos festejos e serenatas. Eram especialmente animados os dias de S. João e S. Pedro, festejados no mês de Junho, coincidindo o último com a celebração onomástica de D. Pedro III, logo seguida, a 5 de Julho, pelas comemorações do seu próprio aniversário Grande parte dos festejos, tinham lugar nos jardins e incluíam fogo de artifício, jogos equestres e combate de touros, entre outros divertimentos.
Eram inúmeras as fontes de divertimento em Queluz, sobretudo nos anos que medeiam entre 1752 e 1786, ocupando sempre a música um papel central, ainda na época do Príncipe Regente. Antes e depois da construção da Casa da Ópera, em 1778, aqui se tocaram dezenas de serenatas e óperas, na sua maioria inspiradas em temas da mitologia clássica. Músicos como  Domenico Scarlatti, João Carvalho da Silva, João de Sousa Carvalho,  Luciano Xavier dos Santos ou Marcos Portugal viram aqui tocadas as suas obras. Muitos estrangeiros tiveram igualmente ocasião de expor os seus talentos no Palácio perante a Família Real e a Corte. Em Agosto de 1781, Francisco Farinelli, "castrati" que mais tarde alcançaria grande notoriedade como soprano, fez aqui a sua prova de músico. A época áurea da música em Queluz terminou em 1786, com a morte de D. Pedro III.
 A vitória liberal de D. Pedro IV sobre o irmão  D. Miguel, logo seguida da morte do primeiro no Quarto D. Quixote em Queluz, num ambiente de grande simbolismo e dramatismo romântico, representa o fim de uma época para Queluz.




terça-feira, 8 de março de 2011

Preparação da Visita de Estudo a Lisboa

Palácio Convento de Mafra

Obra central do reinado de D. João V, o Palácio-Convento de Mafra é um projeto colossal do Barroco português setecentista. Os seus números são impressionantes, como o testemunha a sua imensa área de aproximadamente 40 000 m2, a sua fachada nobre com 232 metros, os seus 29 pátios e 880 salas e quartos, as suas 4500 portas e janelas ou ainda as 217 toneladas que pesam os 110 sinos do seu famoso carrilhão.
A fundação deste mosteiro de frades arrábidos deveu-se a uma promessa feita por D. João V, caso a rainha fosse bem sucedida na conceção de um filho que tardava. Este promessa cumpriu-se em 1711, ano em que nasceu a princesa Maria Bárbara, a primogénita da descendência do Magnânimo. O projeto inicial estava dimensionado para acolher treze frades arrábidos, mas no final da construção albergou mais de 300. Com efeito, o número de frades e a dimensão do empreendimento sofreram um grande incremento.
No entanto, o projeto de Mafra só se iniciou a 17 de novembro de 1717, realizando-se a sua sagração em 1730. As obras prosseguiram até 1737, altura em que o convento mafrense se encontrava praticamente concluído. Acrescentos posteriores vieram enriquecê-lo com obras de arte e a criação de outras dependências, como foi o caso da notável biblioteca conventual. Os planos de Mafra são entregues a João Frederico Ludovice, arquiteto-ourives alemão e que se formou no atelier romano de Carlo Fontana.
Mafra ordena-se em torno de dois retângulos articulados: o principal integra-se na vila e compreende a igreja, o palácio, dois claustros, o refeitório e outras dependências. O secundário está virado para a Tapada e articula as celas conventuais, as oficinas e a Casa da Livraria.
A frontaria é marcada pela dicotomia entre palácio e igreja, convergindo as duas alas na axial Sala das Bênçãos. A igreja ergue-se no centro da fachada, delimitada por duas altas e esbeltas torres sineiras de cobertura bolbosa e linhas sinuosas. O seu acesso é feito por imponente escadaria e por diversas rampas. A fachada do templo dispõe-se em dois majestosos andares, coroados por poderoso frontão triangular. O andar térreo afirma uma galilé de três portais, enquanto o piso superior é marcado por diversas janelas de
frontão curvo e triangular. Estas aberturas são ladeadas por estátuas inseridas em nichos, ritmadas por altas colunas jónicas em mármore branco. A estatuária da entrada foi realizada por artistas italianos setecentistas, dos quais se podem destacar Monaldi, Baratta e Battista Maini.
Para cada um dos lados da igreja estendem-se os corpos retangulares e tripartidos do palácio, terminando nos ângulos por dois torreões de cobertura bolbosa, inspirados na antiga Casa da Índia do Terreiro do Paço lisboeta, destruída no terramoto de 1755.
O interior da igreja é grandioso e equilibrado, dividido em três naves e seis capelas laterais comunicantes, com transepto bem saliente. Harmoniosamente decorada, nela se pode observar um jogo colorido de mármores italianos e portugueses, em articulação com a pedra do monumento.
As pinturas dos altares deterioraram-se em meados do século XVIII, sendo substituídas por composições marmóreas relevadas, obra de escultores italianos dirigidos por Alessandro Giusti. Este escultor romano introduziu a gramática decorativa rocaille e deixou uma operosa escola de discípulos portugueses, entre os quais se destacam os escultores Joaquim Machado de Castro e José de Almeida.
A igreja é bem iluminada, sendo magistral a cúpula que se ergue no cruzeiro do transepto. Elevado pelo alto tambor, o zimbório forma uma cúpula perfeita rasgada por amplas janelas. Também a capela-mor e as colaterais são profusamente iluminadas, realçando o encanto dos seus mármores policromos. De grandes dimensões, o altar-mor apresenta uma enorme tela pintada, encimada por um Cristo crucificado.
No topo da entrada situa-se a galeria real, local onde a família real assistia ao ofício divino e onde se situam as três janelas da Sala da Bênção.
O cenóbio possui diversas dependências que integram o museu do Palácio Nacional de Mafra, enquanto outras foram reconvertidas para acolherem a Escola Prática de Infantaria. Nestas áreas destacam-se algumas dependências pela sua qualidade artística.
Na ala sul, a Casa do Capítulo, verdadeira joia da arquitetura barroca, é uma sala elíptica, de cantaria
branca, azul e vermelha, e teto apainelado. Curiosa e surpreendente é toda a área conventual, memória da vivência monástica da comunidade dos ascetas frades arrábidos.
Entre as inúmeras dependências, o realce vai para a Casa da Livraria, obra de excecional qualidade executada por Manuel Caetano de Sousa entre 1771 e 1794. Equilíbrio, monumentalidade e clareza são alguns dos atributos desta imensa biblioteca rocaille, reunindo nos seus dois andares de estantes alguns dos mais notáveis livros impressos - fundo bibliográfico que conta com cerca de 40 000 exemplares.

Palácio-Convento de Mafra. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

 

domingo, 6 de março de 2011

Costa Cabral

Político português, António Bernardo da Costa Cabral nasceu a 9 de maio de 1803, em Fornos de Algodres, e morreu a 1 de setembro de 1889, na Foz do Douro. Terminou o curso de Direito na Universidade de Coimbra em 1823. Exerceu advocacia em Celorico da Beira (1826) e em Nelas (1828).
De formação liberal, aderiu à causa constitucional logo nos primeiros embates entre liberais e absolutistas, sofrendo as consequências da reação miguelista o que o obrigou, após a Belfastada (nome por que ficou conhecido um dos episódios da revolta do Porto de 1828 contra D. Miguel, aquando da restauração do absolutismo), a exilar-se no estrangeiro. Consegue refugiar-se na Galiza e daí passar para a Inglaterra e Bélgica.
Regressou aos Açores, último reduto dos liberais, e participou na expedição liberal de D. Pedro IV (1832).
No ano seguinte é enviado por D. Pedro aos Açores como juiz de Relação, onde se manteria por três anos.
Eleito deputado por aquele arquipélago, ingressa nas fileiras da oposição e adere, como convicto defensor, à Revolução de setembro de 1836. Desempenhou um papel ativo na Belenzada e na luta contra a Revolta dos Marechais. Nomeado administrador-geral de Lisboa, vai empreender uma enérgica luta para a dissolução das milícias populares da Guarda Nacional que, tendo desempenhado um importante papel no Setembrismo, se tornaram num constante foco de agitação pública.
Após a entrada em vigor da Constituição de 1838, foi de novo deputado e, pela primeira vez, ministro (1839), ocupando a pasta da Justiça.
A Constituição de 1838 revela-se incapaz de repor a ordem no país, pelo que Costa Cabral evolui, politicamente, do setembrismo para o cartismo, ou seja, para uma posição mais moderada. Assim, em janeiro de 1842, desloca-se ao Porto a pretexto de assuntos particulares, onde desembarca em 19 de janeiro. Volvidos poucos dias, em 27 de janeiro, Costa Cabral encabeça o pronunciamento militar que visa a restauração da Carta Constitucional.
No fundo, declara guerra ao governo de Lisboa e lidera um golpe de estado para derrubar um governo do qual faz parte e uma Constituição que jurara defender. Organiza no Porto uma Junta Provisória de Governo, cujo primeiro ato foi um manifesto aos portugueses, no qual, em nome da rainha derruba a Constituição de 38 e restaura a Carta Constitucional.
Logo em fevereiro de 1842, foi chamado ao Governo como ministro do Reino. Em 1844, dá-se a primeira sublevação militar contra a política cabralista em Torres Novas, chefiada pelo conde de Bonfim, que foi dominada por forças fiéis ao governo. Mantém-se no poder até abril de 1846, altura em que o movimento da Maria da Fonte o obriga a exilar-se.
Regressado do exílio, voltaria a presidir, pela última vez, ao Ministério (1849). No seu regresso encontrou mais violenta oposição do que nunca, pelo que viria a ser apeado em 1851, pela revolta do marechal Saldanha, conhecida por Regeneração.
A partir da Regeneração, a sua ação política decaiu definitivamente, tendo-se dedicado à carreira diplomática. Foi ministro plenipotenciário no Brasil, onde desempenhou um notável papel na resolução de dificuldades aduaneiras que quase impossibilitavam a entrada dos vinhos portugueses no mercado brasileiro.
Em 1870, na sequência de um grave incidente entre Portugal e o Vaticano, é convidado por
Saldanha para chefiar a nossa legação na Santa Sé.
Em 1845, foi feito conde de Tomar e, em 1878, o seu título foi elevado ao grau de marquês.
Costa Cabral, apesar de criticado pelos seus coevos (nas cortes, nos jornais, etc.), consegue liderar o país durante este delicado período da História de Portugal, da difícil passagem do absolutismo ao constitucionalismo e ao progresso material.
Tomou um conjunto de importantes medidas, das quais se destacam: a publicação do novo Código Administrativo (1842), a reorganização da Guarda Nacional (1842), a reforma das Câmaras Municipais (1842-43), as reformas dos estudos liceais, medidas de fomento do reino, como a abertura de estradas, e obras sumptuárias, como a construção do Teatro D. Maria II.
No entanto, não obstante as fortes críticas de que era alvo Costa Cabral, após a queda da política cabralista, não há alterações de relevo da política portuguesa subsequente, sobretudo na vertente económica. Isto porque a especulação financeira e o fomento material vêm já do período cabralista e após a sua queda há uma mera continuação. Por outro lado, o grupo social que está por trás da política cabralista - a nova aristocracia liberal que prospera a partir da compra de bens nacionais provenientes da extinção das ordens religiosas em 1834 - é o mesmo que está por trás da política subsequente.
O que mudou foi antes uma forma de governar, e não os objetivos a atingir. São processos mais hábeis e astuciosos de governação, de aspeto diferente, mais subtil e mais popular.


António Bernardo da Costa Cabral. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
 
 

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Carta Constitucional

Após a morte de D. João VI em 10 de Março de 1826, D. Pedro, legítimo herdeiro do trono de Portugal, sendo detentor da Coroa imperial brasileira, era considerado um estrangeiro, o que, pelas leis então vigentes quanto à sucessão do trono, o tornava inelegível para o trono português.
A regência, nomeada em 6 de Março de 1826, apenas quatro dias antes da morte do rei, na pessoa da infanta D. Isabel Maria, declara D. Pedro rei de Portugal. A situação, porém, não agradava nem a portugueses nem a brasileiros. Em Portugal, muitos defendiam a legitimidade do trono para D. Miguel, irmão de Pedro.
D. Pedro procurou uma solução conciliadora. Assim, após outorgar a Carta Constitucional a Portugal (29 de Abril de 1826), abdicou em favor da sua filha D. Maria da Glória, na dupla condição de esta desposar o seu tio D. Miguel e de este jurar a Carta.
A Carta Constitucional da monarquia portuguesa baseou-se na Constituição brasileira que, por sua vez, se inspirara na Carta francesa de 1814, apoiando-se esta no sistema britânico. Há ainda, nalguns artigos, influências da Constituição de 1822. Pela sua natureza moderada, a Carta representou um compromisso entre os defensores da soberania nacional adoptada na Constituição de 1822 e os defensores da reafirmação do poder régio.
O documento estipulava um sistema monárquico, de titularidade hereditária, em que ao rei caberia a responsabilidade última do poder executivo e uma função de moderação na sociedade; divulgava a abdicação de D. Pedro; definia os princípios gerais de administração do reino, prevendo a separação dos poderes (distinguindo-se os poderes legislativo, moderador, executivo e judicial); e garantia os direitos dos cidadãos, no tocante à liberdade, à segurança individual e à propriedade.
A Carta Constitucional teve três períodos de vigência. O primeiro decorreu entre 31 de Julho de 1826 e 3 de Maio de 1828, data da convocação dos três estados do reino por D. Miguel, em oposição à Carta.
O segundo período iniciou-se em 27 de Maio de 1834, com a Convenção de Évora-Monte, que pôs termo à guerra civil entre os absolutistas de D. Miguel e os liberais de D. Pedro. A vitória destes repôs a Carta. Este período prolongar-se-ia somente até 9 de Setembro de 1836, quando a Constituição de 1822 foi reposta pela revolução de Setembro, até redacção da nova Constituição (o que viria a acontecer em 1838).
O terceiro período de vigência inicia-se com o golpe de Estado de Costa Cabral no Porto que proclamou a restauração da Carta em 27 de Janeiro de 1842. Oficialmente, a Carta reentraria em vigor em 10 de Fevereiro de 1842. Este período de vigência apenas terminaria em 5 de Outubro de 1910, com a revolução republicana.
Durante este longo período de vigência, a Carta foi alvo de três revisões - os Actos Adicionais de 1852, 1855 e 1896.
Carta Constitucional. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004.