segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O primeiro presidente da República: Manuel de Arriaga

Manuel José de Arriaga Brum da Silveira nasceu a 8 de Julho de 1840 na cidade da Horta, Ilha do Faial, nos Açores. Pertencia a uma família da aristocracia açoriana. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e foi professor de Inglês do Ensino Liceal. Em 1876 fez parte da Comissão de Reforma da Instrução Secundária.
Filiado no Partido Republicano Português, participou activamente em comícios que se realizavam em Lisboa e os seus discursos inflamados contribuíam para aumentar o número de adeptos à causa republicana.
Depois do 5 de Outubro foi deputado às Constituintes e, no dia 24 de Agosto de 1911, tomou posse do cargo de Presidente da República. O seu mandato foi muito agitado e cheio de dificuldades porque os diferentes partidos republicanos que então se formaram não se conseguiam entender.  Em Janeiro de 1915, Manuel de Arriaga dissolveu o parlamento e consentiu que se instalasse a ditadura de Pimenta de Castro. As reacções não se fizeram esperar. Os opositores reuniram-se, o Presidente da República foi declarado fora da lei e, logo em Maio, rebentou uma revolução que repôs a ordem democrática e o forçou a demitir-se. Morreu em Lisboa a 5 de Março de 1917.


domingo, 9 de outubro de 2011

Regicídio

A violência da oposição à ditadura de João Franco criara as condições propícias a uma tentativa revolucionária republicana.
A 21 de janeiro de 1908 são presos, como suspeitos de conspiração, França Borges, João Chagas, Alfredo Leal e Vítor de Sousa, e, a 28 desse mês, fracassa uma tentativa revolucionária. Foram presos, como implicados na intentona, entre outros, Afonso Costa, Egas Moniz, Álvaro Pope e o visconde de Ribeira Brava.
O Governo resolve então intensificar a repressão. Prepara um decreto que lhe permite expulsar do país ou deportar para o ultramar os culpados de crime contra a segurança do Estado. Em 31 desse mês, o ministro da Justiça Teixeira de Abreu regressa de Vila Viçosa, onde se encontrava a família real, com o decreto assinado.
D. Carlos, no dia seguinte, 1 de fevereiro, regressa a Lisboa acompanhado da família real. Tendo desembarcado no Terreiro do Paço, seguiam numa carruagem aberta para o Paço das Necessidades. A carruagem real roda lentamente junto da penúltima arcada do lado ocidental do Terreiro do Paço. Subitamente, rompendo entre o cordão de polícias e população, um homem de revólver em punho põe o pé no estribo traseiro da carruagem real e dispara à queima-roupa contra o rei, atingindo-o com dois tiros na cabeça. A carruagem segue à desfilada pela rua do Arsenal, quando um outro indivíduo, mais adiante, dispara uma carabina que trazia oculta contra D. Luís Filipe, que segurava um revólver, matando-o.
D. Manuel é atingido num braço. Apenas a rainha D. Amélia sai ilesa.
O pânico e o tiroteio generalizam-se. O primeiro regicida terá sido morto pelo príncipe D. Luís Filipe. O segundo é morto pela polícia.
Os regicidas foram Alfredo Costa, de 28 anos, caixeiro de profissão e Manuel Buíça, de 32 anos, professor primário, ambos republicanos.


 
O atentado de 1 de fevereiro de 1908
 
Regicídio. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.