quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A Origem do Teatro


A origem do Teatro
O Teatro nasceu em Atenas, associado ao culto de Dionísio, deus do vinho e das festividades. As representações teatrais tinham lugar em recintos ao ar livre (anfiteatros), construídos para o efeito.
Os teatros gregos tinham tão boas condições que os espectadores podiam ouvir e ver, à distância, tudo o que se passava na cena, mesmo tratando-se de uma assistência muito numerosa. Isso devia-se, por um lado, ao facto de as bancadas se abrirem em leque sobre a encosta de uma colina e, por outro lado, a diversos artifícios utilizados em cena. Os actores usavam trajes de cores vivas e sapatos muito altos (coturnos) para ficarem com uma estatura imponente.
Cobriam o rosto com máscaras que serviam quer para ampliar o som da voz, quer para tornar mais visível à distância, a expressão do personagem. Um aspecto curioso é que, em cada peça, só existiam três actores, todos do sexo masculino. Cada um deles tinha que desempenhar vários papéis, incluindo os das personagens femininas.
A representação dos actores, que actuavam na cena, era acompanhada pelos comentários do coro, que se movimentava na orquestra, juntamente com os músicos. Havia dois géneros de representações: a tragédia e comédia.
As tragédias eram peças ou representações que pretendiam levar os espectadores a reflectirem nos valores e no sentido da existência humana. As comédias eram, por sua vez, peças de crítica social que retratavam figuras e acontecimentos da sociedade da época, ridicularizando defeitos e limitações da actuação dos homens, provocando o riso na assistência.

Ficheiro:Milet Amphitheater1.JPG
As Ruínas do Teatro de Mileto

Máscaras Teatrais da Tragédia e Comédia
Ficheiro:Apulian bell-krater phlyax scene MAN.jpg

Cena de Comédia em vaso da Apúlia

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A Família na Antiguidade Clássica (Grécia)

A formação de uma família entre os gregos não começava sempre da mesma forma, havia variações de acordo com a origem das pessoas. Entre os camponeses, por exemplo, era comum que os jovens se conhecessem na lavoura e que, a partir dos contactos estabelecidos no trabalho, viessem a namorar e depois a casar-se. No caso das jovens ricas, provenientes das linhagens nobres, os casamentos eram arranjados de acordo com conveniências.
Isso significava que os pais das jovens procuravam casamentos em que famílias de uma mesma origem social e padrão económico pudessem unir as suas fortunas através do matrimónio dos seus filhos. Eram feitas oferendas aos deuses (especialmente a Artémis, a protectora das mulheres) e oferecido um dote ao noivo e aos seus familiares. Esse presente de casamento dado pelo pai da noiva consistia em terras, bens de elevado valor e, até mesmo, dinheiro.
O dia em que o casamento se consolidava marcava a mudança da noiva para seu novo lar, a casa da família do seu marido. Somente no dia seguinte ao casamento é que os parentes e amigos próximos iriam dar presentes numa visita ao lar do novo casal.
Os meninos gregos das famílias que pertenciam às camadas sociais mais ricas e poderosas eram ensinados por tutores quanto à oratória, a poesia e o cálculo. As meninas eram educadas em casa, pelas próprias mães, para que se tornassem boas esposas e donas de casa.
As funções das mulheres gregas estabeleciam que elas deveriam dar-se ao máximo aos seus maridos e filhos e, dessa forma, abdicar quase que totalmente dos seus interesses e vontades. Cuidar do lar, presenciar o crescimento dos seus filhos e devotar integral fidelidade ao marido passava a ser a vida de qualquer mulher grega, excepto daquelas que viviam em Esparta.
A cidade de Esparta era aquela que proporcionava às mulheres a maior autonomia entre todas as pólis estabelecidas na Grécia Antiga. Isso acontecia em virtude da própria orientação política adoptada naquela localidade, onde a hostilidade entre cidadãos e não-cidadãos e a presença maciça de escravos criava a necessidade de manter os cidadãos em constante alerta contra revoltas internas. Como o grupo de espartanos era menor que o de não-cidadãos (escravos e estrangeiros), as crianças e mulheres eram preparados para colaborar em caso de conflitos ocorridos na cidade.
A necessidade de contar com o apoio das mulheres fazia com que os homens espartanos dessem a elas preparação militar, participação em actividades políticas e maior liberdade para participar das atividades do cotidiano da pólis (inclusive dos esportes).
As mulheres que viviam em outras cidades gregas, especialmente em Atenas (cidade-estado a respeito da qual existem mais informações e documentos disponíveis para pesquisa), tinham funções claramente domésticas, conforme havíamos dito. Eram responsabilidades dessas esposas, além da criação de seus filhos, que cuidassem da casa com o auxílio dos criados (para isso tinham que averiguar o serviço doméstico e orientar os empregados quanto a forma como esse trabalho deveria ser feito), a confecção de tecidos para a criação de peças de vestuário que seriam utilizadas pelos seus próprios familiares, a produção de tapetes e cobertas e a manutenção e embelezamento da casa.
Esparta destacou -se como a cidade-estado grega em que as mulheres tinham maior autonomia. As espartanas podiam participar da vida pública em praticamente todas as esferas, inclusive no exército e na política.
No caso das famílias humildes, a diferença consistia na inexistência de criados para a execução dos serviços domésticos, o que acarretava a necessidade de que esses trabalhos fossem realizados pela própria esposa, inclusive cozinhar, lavar e limpar a casa.
Era comum que as famílias se reunissem para realizar suas orações, no entanto, a posição dos demais membros da família em relação ao pai era de total subserviência. Todos lhe deviam respeito e total obediência, considerava-se que as mulheres e os filhos estavam sob a guarda legal do chefe de família e, de certa forma, a vida das mulheres grega alterava-se apenas no que se refere ao homem que comandava suas acções, o seu pai na infância e o seu marido na idade adulta.
A situação de homens e mulheres na Grécia Antiga começava-se a diferenciar quando ainda eram crianças. O primeiro e mais significativo indício dessas vidas diversas quanto ao futuro era a própria educação que a eles era ministrada. Os meninos gregos tinham tutores e participavam de actividades desportivas. Manter o corpo e a mente sadios era dever dos pais no que se refere aos filhos do sexo masculino (entre os membros das camadas mais importantes das cidades-estado daquela época).
Investia-se na aprendizagem da leitura, escrita, oratória, poesia e matemática para que os meninos pudessem se tornar os líderes que iriam manter as cidades no amanhã. A rigidez nos estudos era grande, por isso mesmo era dada aos tutores a possibilidade de aplicar castigos físicos aos meninos e rapazes que não se aplicassem nos estudos. Enquanto isso, as meninas eram educadas em casa, pelas mães, sempre tendo como objetivo de aprendizagem os afazeres domésticos e femininos consagrados pelo hábito na sociedade grega, ou sejam: fiar, tecer, ler, escrever, contar, o cancioneiro e as histórias populares e também os trabalhos domésticos.


As Mulheres Atenienses






segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A Batalha de Maratona


Atenas foi uma das mais importantes cidades-Estado da Grécia Antiga. Fundada pelos jónios, localizava-se na Ática, região difícil para a agricultura que, no entanto, contava com excelentes portos naturais no litoral do mar Egeu, o que levou os atenienses a desenvolver o comércio marítimo e a fundar diversas colónias, sendo as mais prósperas as cidades jónias na Anatólia, na Ásia Menor (actual Turquia).
Essas colónias gregas desenvolveram-se rapidamente e, gozando de ampla liberdade entre os reinos do Oriente Médio, garantiram o comércio helénico na região. Entretanto, em 546 a.C., Ciro, o Grande, rei da Pérsia, subjugou as cidades jónias, obrigando-as a pagar tributos e a servir nas fileiras militares persas. Nesse primeiro momento, somente a ilha de Samos tentou resistir, mas como não recebeu apoio das pólis gregas, acabou sucumbindo.
Em 496 a.C. os jónios rebelaram-se e, dessa vez, Erétria e Atenas foram em socorro das cidades da Anatólia. De início, os gregos obtiveram algumas vitórias, mas foram derrotados na batalha de Lade (494 a.C.), travada perto de Mileto, a mais poderosa cidade jónia, que foi incendiada e teve os habitantes transferidos para o sul da Mesopotâmia.
O herdeiro de Ciro, Dário I inicia a expansão persa sobre o território grego na Europa. Em 492 a.C. mandou um grande contingente militar, sob comando de Mardónio, conquistar a Trácia e a Macedónia, chegando até a fronteira com a Grécia. Dário, então, enviou mensageiros às cidades gregas, exigindo a rendição, no que foi atendido por várias delas, principalmente as que se localizavam na região da Tessália. Atenas e Esparta, entre outras pólis, não aceitaram render-se.
Em 490 a.C., Dário I, comandando aproximadamente 50 mil homens e com uma poderosa marinha de guerra, desembarcou na planície de Maratona, que fica a menos de 50 km de Atenas, a fim de reprimir os atenienses pelo auxílio dado durante a rebelião das cidades na Anatólia.
Milcíades, general ateniense, enviou um pedido de ajuda aos espartanos, mas esses responderam que só poderiam enviar as suas tropas dali a seis dias, pois estavam a realizar celebrações religiosas. Milcíades, que já tinha sido governante de uma cidade na Trácia e conhecia as tácticas de guerra dos persas, resolveu marchar imediatamente para Maratona e enfrentar os invasores.
A batalha de Maratona ocorreu em Setembro de 490 a.C.. Os atenienses iniciaram a ofensiva contra os persas. Numa planície apertada entre o mar e as montanhas, um contingente de no máximo 15 mil gregos avançou contra os persas. Heródoto conta que os súbditos persas ao verem os gregos aproximando-se velozmente, sem o auxílio nem de cavalaria, nem de arqueiros, acreditaram que estavam diante de um exército irracional, e muitos fugiram do combate.
Tamanha foi a violência dos gregos que os persas tiveram que recuar para seus navios. Milcíades mandou o corredor Fidípedes até Atenas para avisar sobre a vitória, enquanto marchava com suas tropas até o porto de Falero, para impedir uma nova tentativa de desembarque de Dário. Fidípedes teria corrido tanto e tão rápido até Atenas, que assim que cumpriu sua missão, caiu morto de exaustão.
O exército dos persas voltou para o Oriente. Durante 10 anos o Império Persa ocupou-se com outras questões: conquista de outros povos, submissão de rebeliões dentro do império, problemas nas sucessões dinásticas, dando tempo para que os gregos se reorganizassem para um futuro, e iminente, novo combate.
Fontes: UOL Educação
           Wikipedia
 
Ficheiro:Battle of Marathon 001.jpg

Oratória

Na antiga Grécia, mais concretamente em Atenas, a oratória - ou discurso público - decorria do próprio processo democrático, em que todos os cidadãos tinham possibilidade de integrar qualquer um dos organismos de organização e gestão do Estado, como, por exemplo, a Eclésia e a Bulé. Contudo, na prática, as pessoas que não moravam na cidade ou que trabalhavam durante todo o dia raramente podiam assistir às reuniões diárias onde se decidiam os assuntos relativos ao Estado.
O estipêndio - denominado na altura misthos ecclesiastikós - que, durante a guerra do Peloponeso (431-404), era dado aos membros da Eclésia representava apenas o suficiente para que não ficassem prejudicados. Assim, eram principalmente os cidadãos abastados, de famílias antigas ou com escravos e propriedades arrendadas, que desempenhavam o papel político mais proeminente no governo do Estado, podendo dedicar-se a tempo inteiro aos assuntos mais importantes. Entre estes destacaram-se Anito, Cléon e Cléofon (apesar de também terem ascendido a estes postos, em grande parte devido a suborno, homens de humildes origens).
Dada a posição proeminente ocupada, iniciou-se o uso de lhes chamar oradores, uma vez que eram eles que se dirigiam a maior parte das vezes à grande assembleia da Eclésia para expor planos e programas a serem votados, o que exigia também o domínio do discurso persuasivo. De igual forma, uma assistência tão alargada propiciava a exaltação do orador, que pretendia tocar o íntimo dos assistentes, convencendo-os dos seus propósitos. Simultaneamente, houve também quem abusasse deste poder sobre a multidão, com objetivos menos honestos e altruístas.
oratória (história). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Aristoteles Louvre.jpg
Aristóteles destacou-se na Oratória