quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A Família na Antiguidade Clássica (Grécia)

A formação de uma família entre os gregos não começava sempre da mesma forma, havia variações de acordo com a origem das pessoas. Entre os camponeses, por exemplo, era comum que os jovens se conhecessem na lavoura e que, a partir dos contactos estabelecidos no trabalho, viessem a namorar e depois a casar-se. No caso das jovens ricas, provenientes das linhagens nobres, os casamentos eram arranjados de acordo com conveniências.
Isso significava que os pais das jovens procuravam casamentos em que famílias de uma mesma origem social e padrão económico pudessem unir as suas fortunas através do matrimónio dos seus filhos. Eram feitas oferendas aos deuses (especialmente a Artémis, a protectora das mulheres) e oferecido um dote ao noivo e aos seus familiares. Esse presente de casamento dado pelo pai da noiva consistia em terras, bens de elevado valor e, até mesmo, dinheiro.
O dia em que o casamento se consolidava marcava a mudança da noiva para seu novo lar, a casa da família do seu marido. Somente no dia seguinte ao casamento é que os parentes e amigos próximos iriam dar presentes numa visita ao lar do novo casal.
Os meninos gregos das famílias que pertenciam às camadas sociais mais ricas e poderosas eram ensinados por tutores quanto à oratória, a poesia e o cálculo. As meninas eram educadas em casa, pelas próprias mães, para que se tornassem boas esposas e donas de casa.
As funções das mulheres gregas estabeleciam que elas deveriam dar-se ao máximo aos seus maridos e filhos e, dessa forma, abdicar quase que totalmente dos seus interesses e vontades. Cuidar do lar, presenciar o crescimento dos seus filhos e devotar integral fidelidade ao marido passava a ser a vida de qualquer mulher grega, excepto daquelas que viviam em Esparta.
A cidade de Esparta era aquela que proporcionava às mulheres a maior autonomia entre todas as pólis estabelecidas na Grécia Antiga. Isso acontecia em virtude da própria orientação política adoptada naquela localidade, onde a hostilidade entre cidadãos e não-cidadãos e a presença maciça de escravos criava a necessidade de manter os cidadãos em constante alerta contra revoltas internas. Como o grupo de espartanos era menor que o de não-cidadãos (escravos e estrangeiros), as crianças e mulheres eram preparados para colaborar em caso de conflitos ocorridos na cidade.
A necessidade de contar com o apoio das mulheres fazia com que os homens espartanos dessem a elas preparação militar, participação em actividades políticas e maior liberdade para participar das atividades do cotidiano da pólis (inclusive dos esportes).
As mulheres que viviam em outras cidades gregas, especialmente em Atenas (cidade-estado a respeito da qual existem mais informações e documentos disponíveis para pesquisa), tinham funções claramente domésticas, conforme havíamos dito. Eram responsabilidades dessas esposas, além da criação de seus filhos, que cuidassem da casa com o auxílio dos criados (para isso tinham que averiguar o serviço doméstico e orientar os empregados quanto a forma como esse trabalho deveria ser feito), a confecção de tecidos para a criação de peças de vestuário que seriam utilizadas pelos seus próprios familiares, a produção de tapetes e cobertas e a manutenção e embelezamento da casa.
Esparta destacou -se como a cidade-estado grega em que as mulheres tinham maior autonomia. As espartanas podiam participar da vida pública em praticamente todas as esferas, inclusive no exército e na política.
No caso das famílias humildes, a diferença consistia na inexistência de criados para a execução dos serviços domésticos, o que acarretava a necessidade de que esses trabalhos fossem realizados pela própria esposa, inclusive cozinhar, lavar e limpar a casa.
Era comum que as famílias se reunissem para realizar suas orações, no entanto, a posição dos demais membros da família em relação ao pai era de total subserviência. Todos lhe deviam respeito e total obediência, considerava-se que as mulheres e os filhos estavam sob a guarda legal do chefe de família e, de certa forma, a vida das mulheres grega alterava-se apenas no que se refere ao homem que comandava suas acções, o seu pai na infância e o seu marido na idade adulta.
A situação de homens e mulheres na Grécia Antiga começava-se a diferenciar quando ainda eram crianças. O primeiro e mais significativo indício dessas vidas diversas quanto ao futuro era a própria educação que a eles era ministrada. Os meninos gregos tinham tutores e participavam de actividades desportivas. Manter o corpo e a mente sadios era dever dos pais no que se refere aos filhos do sexo masculino (entre os membros das camadas mais importantes das cidades-estado daquela época).
Investia-se na aprendizagem da leitura, escrita, oratória, poesia e matemática para que os meninos pudessem se tornar os líderes que iriam manter as cidades no amanhã. A rigidez nos estudos era grande, por isso mesmo era dada aos tutores a possibilidade de aplicar castigos físicos aos meninos e rapazes que não se aplicassem nos estudos. Enquanto isso, as meninas eram educadas em casa, pelas mães, sempre tendo como objetivo de aprendizagem os afazeres domésticos e femininos consagrados pelo hábito na sociedade grega, ou sejam: fiar, tecer, ler, escrever, contar, o cancioneiro e as histórias populares e também os trabalhos domésticos.


As Mulheres Atenienses






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