sábado, 24 de novembro de 2012

Roma Antiga em 3D


Papa diz que calendário cristão é baseado em erro de cálculo


O erro sobre o ano de nascimento de Jesus Cristo utilizado para o início do calendário cristão terá sido cometido no século VI pelo monge Dionysius Exiguus, defende o Papa Bento XVI no último livro da trilogia "Jesus de Nazaré", ontem publicado.
"O cálculo usado para o princípio do nosso calendário - baseado no nascimento de Jesus - foi efectuado por Dionysius Exiguus, que se enganou nas suas estimativas em alguns anos", refere o Papa no seu novo livro, dedicado aos primeiros anos da vida de Jesus.
A Bíblia não refere uma data específica para o seu nascimento e Dinosysius Exiguus parece ter baseado as estimativas nas referências vagas quanto à idade com que Jesus começou a pregar e ao facto de ter sido batizado durante o tempo do Imperador Tibério.

Jesus pode ter nascido entre o ano 6 e 4 a.C.

Diversos académicos defendem que Jesus terá nascido provavelmente entre o ano 6 e o 4 a.C., e o livro promete reavivar a polémica.
Além da data, o Papa contesta também a existência de animais na cena bíblica do nascimento de Jesus, conforme é habitualmente reproduzida nos presépios de Natal, e reafirma a virgindade de Maria como uma verdade "inequívoca" da fé.
O livro de 147 páginas foi editado quarta-feira em nove línguas em 50 países (em Portugal pela editora Princípia).
Fonte: Expresso
Wikipedia (Imagem)


Cientistas portugueses mostram interior de uma antiga casa romana à luz de há 2000 anos


Século I da nossa era. Os donos de uma sumptuosa vila romana da antiga cidade de Conímbriga recebem convidados e fazem as honras da casa. Com evidente orgulho, mostram os magníficos frescos e mosaicos que cobrem respectivamente as paredes e o chão de várias divisões. A fraca luz emitida pelas lâmpadas de azeite faz ressaltar os tons avermelhados das pinturas e dos motivos geométricos do chão. A visão é arrebatadora, mas ao mesmo tempo reconfortante, cálida... Lá fora, no jardim interior da moradia, o barulho da água a jorrar dos repuxos contribui para acentuar o prazer dos olhos e essa sensação de bem-estar.A descrição poderá parecer ficcional, mas não é. Graças ao trabalho liderado por Alexandrino Gonçalves, do Departamento de Engenharia Informática do Instituto Politécnico de Leiria, e colegas – cujos resultados deverão ser publicados para o ano no Journal of Archaeological Science – foi possível, pela primeira vez, fazer uma simulação virtual em 3D de um interior doméstico romano que, do ponto de vista visual, corresponde com uma fidelidade sem precedentes ao que viam as pessoas que lá entrassem há 2000 anos.Para reconstituir os edifícios da antiguidade com a ajuda de computadores não basta simular a sua decoração tal como ela era quando estavam em uso. De facto, existe hoje um crescente interesse dos arqueólogos pelas condições em que esses ambientes eram percebidos pelos seus habitantes – em particular devido aos métodos de iluminação –, porque isso pode ter um papel importante na interpretação dos achados arqueológicos.“A forma como visualizamos os frescos e os mosaicos pode dar azo a diferentes interpretações”, disse ao PÚBLICO Alexandrino Gonçalves. E citou um outro exemplo – um projecto de Alan Chalmers, da Universidade de Warwick, Reino Unido, também co-autor do estudo agora publicado –, no qual foi comparado o aspecto visual de hieróglifos egípcios iluminados com lâmpadas onde ardia óleo de sésamo com uma iluminação com luz natural. Os resultados sugerem que os antigos egípcios viam tons de verde onde nós vemos hoje tons de azul. “Isso poderá ter implicações religiosas e permitir várias interpretações”, faz notar Alexandrino Gonçalves.   Voltando a Conímbriga, os cientistas focaram-se na Sala das Caçadas (assim designada devido ao tema dos mosaicos do chão) da Casa dos Repuxos, uma mansão cuja construção data do início do século I da era cristã.Como explicam no seu artigo, que já se encontra publicado online, a única forma de recriar esse ambiente foi através de cenários virtuais, uma vez que a residência romana em questão está hoje em ruínas, o que torna impossível mergulhá-la na sua iluminação original. Isto, explica Alexandrino Gonçalves, porque as casas romanas não tinham janelas – “tinham pavor que alguém lhes entrasse pela casa” – e portanto o seu interior era sempre apreendido com luz artificial.Mas antes de passarem à fase da reprodução por computador da “luz antiga” da Sala das Caçadas, os cientistas tiveram de simular, com objectos reais, a iluminação da época luso-romana, de forma a medir as suas características físicas e poder transferir esses dados para o software de simulação.Há dois milénios, as grandes casas romanas eram iluminadas com lâmpadas de azeite (“as tochas causavam muitos incêndios”, frisa Alexandrino Gonçalves). Estas lucernas eram pousadas no chão ou no topo de altos candelabros – e colocadas em “posições estratégicas” para realçar a decoração vertical e horizontal das salas.Muitas dessas lâmpadas foram encontradas nas escavações de Conímbriga e a primeira etapa do estudo consistiu portanto em reconstituí-las fielmente partindo de várias réplicas, de barro como as originais, cedidas à equipa pelo Museu Monográfico de Conímbriga.Depois veio a questão dos outros componentes: o azeite, os pavios. Ora, o azeite não era igual ao que consumimos hoje – não tinha aditivos – e os pavios eram de linho ou algodão. A tarefa não foi fácil, conta Alexandrino Gonçalves: felizmente, foi possível obter amostras de azeite produzido com métodos tradicionais, “à antiga, de uma maneira que hoje não seria autorizada pela ASAE por razões de higiene”. E mais: como os romanos adicionavam sal ao azeite, os cientistas também tiveram o cuidado de escolher uma fonte de sal puro, que veio neste caso das minas de sal da Figueira da Foz. (Este trabalho minucioso é descrito pelos cientistas no seu artigo, com todos os pormenores.)As lâmpadas foram a seguir colocadas numa sala de dimensões idênticas à da Sala das Caçadas, às escuras e perfeitamente fechada para evitar que correntes de ar pudessem perturbar as chamas das lucernas. E, com a ajuda de um espectro-radiómetro, os cientistas mediram a reflexão da luz das lâmpadas nas superfícies da sala – não só com “luz antiga” (azeite “antigo” e sal), mas também com azeite “antigo” sem sal e com azeite “moderno”. Conclusão: embora o azeite mais próximo do utilizado pelos romanos produzisse uma luminosidade 50% menos intensa do que o azeite mais semelhante ao do comércio actual, a adição de sal mais do que compensava esta perda.Assim, antes de mais, o estudo veio explicar o porquê de algo que até aqui os arqueólogos apenas sabiam através da literatura. Virgílio Correia, Director do Museu Monográfico de Conímbriga, que acompanhou de perto o estudo, explica-nos que, efectivamente, o célebre naturalista romano Plínio refere nos seus escritos “que a adição de sal ao azeite aumenta as suas propriedades químicas”. A análise espectro-radiométrica realizada por estes cientistas veio agora comprová-lo. “Comprovámos experimentalmente que, desta forma, o azeite durava mais tempo e emitia 60% mais luz”, diz por seu lado Alexandrino Gonçalves.A partir dos dados de luminosidade, os cientistas reconstituíram virtualmente o cenário da Sala das Caçadas gerando imagens ditas de alto alcance dinâmico (HDR ou high dynamic range). A sensibilidade desta tecnologia é de tal ordem que permite igualar a extrema sensibilidade do nosso sistema visual em condições de fraca iluminação. “É a primeira vez que se faz uma reconstituição virtual deste tipo com HDR”, diz-nos Alexandrino Gonçalves. A última etapa do estudo levaria o investigador à Universidade de Warwick, ao laboratório de Alan Chalmers, um dos poucos locais no mundo que dispõe de ecrãs HDR, capazes de apresentar as imagens HDR em todo o seu esplendor. Ali, ao longo de várias semanas, os cientistas mostraram as imagens da Sala das Caçadas a umas dezenas de voluntários – em “luz antiga”, mas também em luz eléctrica – e pediram-lhes para responder a diversas perguntas acerca da sua percepção do cenário virtual que estavam a ver. Os tons de cor dos mosaicos, nomeadamente, revelaram ser percebidos de forma diferente em cada um destes dois modos de iluminação: vermelhos cálidos no primeiro; acastanhados no segundo. A luz antiga criava, segundo referiram quase unanimemente os voluntários, uma sensação reconfortante, cálida, relaxante que contrastava fortemente com a atmosfera fria e as cores sem relevo vistas à luz de lâmpadas eléctricas.A equipa também realizou experiências em que, graças a um sistema detracking, seguiram o rasto do olhar dos participantes à medida que estes observavam as imagens. E aqui constataram que, ao passo que “com luz romana, o olhar se fixava mais nos frescos e nos mosaicos, com luz eléctrica a dispersão do olhar era maior”, frisa Alexandrino Gonçalves. “Isto vai no sentido do que se pensava”, acrescenta: “Os romanos gostavam de impressionar as visitas com os seus mosaicos e frescos e colocavam as lucernas nos sítios estratégicos para os tornarem mais espectaculares.”
Fonte: Público

Aspecto real das ruínas da Sala das Caçadas vista da entrada
Reconstituição virtual da Sala das Caçadas, vista da entrada e iluminada por candelabros


Reconstituição virtual de um canto da Sala das Caçadas iluminado por lucernas

sábado, 17 de novembro de 2012

Pompeia


No século VII a.C., foi fundada a cidade de Pompeia. A cidade recebeu  influência das civilizações gregas e etruscas que dominavam a região sul da Itália. 
Entre 27 d.C. e 37 d.C., a cidade viveu o seu apogeu, grandes edifícios privados e públicos foram construídos, mas um terremoto em 62 d.C. destruiu grande parte de Pompeia.
A cidade estava a ser reconstruida, quando em 24 de Agosto de 79 d.C. o vulcão Vesúvio explodiu expelindo grande quantidade de lava  que se solidificou rapidamente.
A lava cobriu toda a cidade de Pompeia e também Herculano, cidade vizinha, com uma camada de dois metros de espessura. Em seguida uma nova camada, de quinze metros feita por cinzas e pedras, cobriu  Pompeia matando cerca de 30 mil pessoas.
Historiadores e arqueólogos  têm descoberto vários objectos, que pela alta temperatura permaneceram todos estes séculos intactos. Tais achados permitem-nos conhecer melhor os aspectos sociais, políticos, económicos e artísticos da época.
Fontes: Wikipedia
 
Ficheiro: Pompéia o último dia 1.jpg
Erupção do Vesúvio recriada digitalmente
Ficheiro:Pompei02.JPG
Casa em ruínas em Pompeia
Ficheiro:Pompei03.JPG
Objectos recuperados em Pompeia

O Coliseu de Roma


Grande anfiteatro oval romano que foi mandado construir por Vespasiano, por volta do ano 70, e foi concluído, com três andares, em 82 por Domiciano. No século III foi-lhe acrescentado mais um andar. Com uma altura de 48 m, as bancadas eram de mármore (entretanto desaparecido) e tinham capacidade para mais de 50 000 espectadores. O recinto destinava-se ao combate de gladiadores e à representação de tragédias e comédias. Também foi aqui que muitos cristãos perderam a vida, lançados às feras. Neste espaço colossal, chegaram mesmo a realizar-se simulações de batalhas navais.
Coliseu de Roma. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Wikipedia (Imagens)

Ficheiro:Map of downtown Rome during the Roman Empire large.png
Mapa do centro de Roma durante o Império Romano, com o Coliseu a nordeste, fora do núcleo urbano, no canto superior direito

Arquivo: Giovanni Battista Piranesi, O Colosseum.png
Gravura de 1757 de Giovanni Battista Piranesi

Arquivo: 0 Coliseu - Roma 111.001 (1) JPG.


Júlio César


Nasceu no ano 100 e morreu, assassinado, em 44 a. C., ao cabo de uma carreira que fez dele o primeiro homem político de Roma. Dois anos após a sua morte ser-lhe-ia atribuído o estatuto de deus do povo romano.A sua entrada na vida pública foi precedida por vários anos de instabilidade em Roma. O jovem César começou por se dedicar à vida militar, que sempre lhe serviria de suporte às ambições políticas. Alcançou, depois, posições de menor importância na magistratura, até que, em 69 a. C., foi eleito questor. O cargo trouxe-o à Península Ibérica, e mesmo a território que é hoje em dia português. Mais tarde, em 62 a. C., foi eleito pretor, tendo de seguida ocupado o cargo de governador, mais uma vez, na Ibéria.Em 59, César foi eleito cônsul. Constituiu então, com Crasso e Pompeu, um triunvirato que duraria até ao ano de 56 a. C. Com tudo isto, a sua ascensão política era evidente. No plano militar, também, não deixavam de ser notadas as suas campanhas na Europa central e ocidental. O sucesso talvez mais significativo consistiu na submissão total da Gália na década de 50, com a capitulação do chefe gaulês Vercingetórix.Entretanto, em perigo de perder a sua posição devido a intrigas de senadores, César atravessa com as suas tropas o Rubicão, entrando em território italiano e dando início a uma guerra civil contra Pompeu. Nesta fase, a intenção de César era, não apenas salvaguardar a sua carreira política e até mesmo a sua segurança pessoal, mas também pôr travão ao desgoverno da Roma dominada pelas rivalidades e intrigas dos patrícios. A guerra, que se estendeu de 49 a 45 a. C., representaria, deste ponto de vista, o preço a pagar pela sobrevivência secular do império. Vitorioso, César, com o título de ditador de Roma, teve então a oportunidade que havia muito desejava para implementar diversas reformas importantes: concedeu a cidadania romana a certos povos que dela não usufruíam; reorganizou as estruturas administrativas locais do império; reformulou o calendário (uma medida de que ainda hoje se sentem os efeitos); alterou a constituição do Senado de forma a retirar poder à velha aristocracia. Na verdade, terá sido o seu crónico desprezo, bem expresso na sua forma autocrática de governar, pelos privilégios tradicionais da aristocracia patrícia que terá levado ao seu assassinato no Senado.

Júlio César. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Wikipedia (Imagens)

Ficheiro:Giulio-cesare-enhanced 1-800x1450.jpg
Júlio César, busto no Museu Arqueológico de Nápoles



Império Romano


Iniciou-se em 27 a. C., a 16 de janeiro, com a ascensão de Augusto (Octávio) ao Império, na sequência da derrota imposta a Marco António e Cleópatra em Ácio (31 a. C.). Ocupou o sólio até 19 de agosto de 14 d. C., tendo sido o primeiro imperador, iniciando também a dinastia Júlio-Claudiana. Este título de imperador assumia não uma conotação política mas também religiosa, com uma posição apoiada numa autoridade superior à de todos os magistrados romanos. O reordenamento político-institucional operado por Augusto lançou as bases da estrutura do governo imperial: através de uma hábil propaganda, redimensionou a política expansionista romana (organização das províncias em imperiais e senatoriais, estacionamento de legiões nas fronteiras) e criou um forte aparelho burocrático dinamizado essencialmente pela classe equestre; participação no governo imperial da plebe e dos estamentos em ascensão, através de mecanismo clientelares; restauração dos valores de romanidade; criação de colónias com veteranos de guerra; manutenção de uma paz civil durante um longo período de tempo, depois de várias lutas fratricidas. Todo este edifício legislativo de Augusto visava a estabilidade à pesada estrutura imperial e que não podia ser governado com os antigos mecanismos republicanos.

Apesar da governabilidade ter uma aparência republicana, na essência era monárquica, o que era visível no aspeto da sucessão, como aconteceu com a escolha de Tibério por Augusto como seu sucessor. Tibério provinha de uma grande família republicana, aparentada com o imperador. As dinastias que se seguiram a Augusto (Júlio-Cláudios, 14-68, e Flávios, 69-96), deram imperadores que se distinguiram pelo seu temperamento, capacidades e métodos de governo. A continuidade dinástica baseava-se também na fidelidade do exército e das províncias, ambos com forte ligação à imagem do imperador e pouco inclinados a acatarem as exigências da aristocracia romana. Assim, a Tibério sucedeu Calígula, filho de Germânico (sobrinho de Tibério), e depois Cláudio, Nero (filho de Agripina, última mulher de Cláudio).
Tibério tentou manter uma colaboração estreita com o Senado, apesar deste com o tempo oferecer resistências crescentes aos governos aristocráticos. Com Calígula e principalmente Nero o imperador ganhou uma imagem autocrática e marcadamente orientalizante, o que gerou anticorpos entre a inteligenzia romana e entre os exércitos e províncias ocidentais, pondo-se em causa essa tendência autocrática. Assim, em 68, na sequência de uma viagem de Nero ao Oriente, explodiram revoltas entre as legiões e as províncias ocidentais contra o imperador: em Espanha os exércitos aclamaram Galba, na Germânia Vitélio, com Vespasiano a ser aclamado no Oriente e Otão entre a poderosa Guarda Pretoriana. Vespasiano acabou por levar a melhor, apesar de se manter acesa uma guerra na instável Judeia. Este turbulento ano de 68, ou "dos quatro imperadores", demonstrou a precaridade do equilíbrio do poder imperial. Com Vespasiano (69-79), iniciou-se a dinastia dos Flávios, sucedendo-lhe Tito, que pouco tempo governou para demonstrar alguma tendência orientalizante: antes foi ele mesmo que solucionou brutalmente a questão judaica. Domiciano, outro Flávio, foi um imperador autocrático, não à imagem de Nero, mas acabou ser alvo da confluência de conjuras do Senado, dos Pretorianos e da corte, sendo substituído por um velho senador (Nerva, 96-98), por ação da aristocracia.
A política externa do século I d. C. foi a que foi traçada na essência por Augusto: mais conservação dos territórios que ampliação das conquistas. Depois da renúncia à conquista da Germânia, avançou-se para a Bretanha e foram criadas as províncias da Mauritânia, Trácia e Capadócia. Interrompeu-se a campanha da Dácia (atual Roménia, aproximadamente), onde as dificuldades foram muitas. Mas a máquina do Império não deixou de funcionar no século II, atingindo níveis de coesão e de prosperidade material consideráveis, com Trajano, por exemplo (quando o Império conheceu a sua extensão máxima) e depois com os Antoninos, bons governantes. Trajano (98-117), teve como sucessores Adriano (117-138), Antonino Pio (138-161) e Marco Aurélio (161-180). O princípio da adoção do sucessor - ou a escolha do melhor, noutro sentido - manteve-se até Marco Aurélio, que entregou os destinos do Império ao filho, Cómodo (180-192). Trajano foi um imperador militar, conquistando finalmente a Dácia (depois bastante romanizada) e algumas regiões párticas, mas a que o seu sucessor, Adriano, teve que renunciar.
Com os Antoninos inaugurou-se uma política de paz, benéfica para o governo desta dinastia e uma opinião favorável entre o povo, fazendo com que muitos historiadores considerem a sua época como o apogeu do Império e os seus imperadores os protótipos do príncipe perfeito. Adriano, por exemplo, promoveu a cultura helenística; Antonino Pio era o soberano totalmente dedicado ao bem público; Marco Aurélio, filósofo e escritor, simbolizou o sonho antigo dos sábios chegarem ao poder. Mas no seu reinado o poder romano começou a ser posto à prova, com as invasões de populações germânicas, o que fez tremer a organização militar e as finanças de Roma. Eram os pródromos da crise imperial: as campanhas defensivas de Marco Aurélio (entre 161 e 180) e o governo despótico de Cómodo - que rompeu todos os equilíbrios institucionais romanos alcançados, abrindo uma espiral de revoltas provinciais e levantando suspeitas na aristocracia - assinalaram o fim da "época feliz" do Império. Começava então a dinastia dos Severos e a crise do século III.
De facto, no fim do reinado de Cómodo estalou uma grave crise institucional em Roma: insurreições nas províncias, que acusavam o imperador de olhar apenas por Roma; várias eleições de imperadores pelas várias legiões, entre os quais Sétimo Severo e Piscénio Níger, entre outros, como Dídio Juliano, preferido dos pretorianos. Ganhou o africano Severo (193-211), apoiado na força militar. Inaugurou a dinastia dos Severos (193-235), que se notabilizou pela fase dita "clássica" do direito romano. Sucedeu-lhe Caracala (211-217), que teve inúmeros problemas no Oriente. Ficou conhecido por querer dotar Roma e outras cidades de termas. Macrino seguiu-se-lhe no trono imperial, embora como usurpador, de certa maneira, o que lhe valeu a oposição tenaz das mulheres da família dos Severos, que fizeram com que o jovem Heliogábalo ascendesse ao império em 218 (até 222). Indivíduo extravagante, importou e difundiu cultos orientais (Mitra, Baal e outros cultos solares, por exemplo), o que criou um sincretismo religioso que lançou a confusão entre os Romanos. De 222 a 235 esteve no poder o último dos Severos, Alexandre Severo. Esta época de confusão religiosa foi relativamente tolerante com o Cristianismo, que as correntes monoteístas enxameavam então em Roma.
Muitos eram os problemas militares no Império, principalmente no Oriente, onde vários povos persas assolavam as fronteiras e dizimavam legiões, e também no Reno. As legiões, perante a impotência de Alexandre Severo logo o mataram em 235 e aclamaram Maximino I, o Trácio. Mas começaram cinquenta anos de crises gravíssimas, sucedendo-se vários imperadores e usurpadores sem que se conseguisse criar estabilidade no poder. Apenas os imperadores-soldados ilíricos (268-284) conseguiram pela força impor alguma acalmia, mas sem grandes resultados ao nível administrativo. O Império era constantemente abalado nas fronteiras, com incursões de povos germânicos frequentes e razias. O Cristianismo atingia uma dimensão clandestina notável e estava bastante impregnado na sociedade. Décio (249-251), um imperador tradicionalista deste período turbulento, ficou famoso pelas mais cruéis perseguições feitas aos Cristãos, acabando com a tradicional tolerância religiosa dos Romanos. Em 258 na Gália criou-se um contra-poder usurpador e no Oriente, por essa altura, a situação agudizava-se, com estados regionais rebeldes (como em Palmira, por exemplo). Aureliano (270-275) foi um dos imperadores que se destacou positivamente neste período, elaborando reformas monetárias e militares sérias, reforçando as defesas de Roma e procurando resolver os problemas religiosos.
Aureliano, como tantos outros imperadores do século III acabou morto pelos soldados. Entre 275 e 284 vários foram os imperadores e muitas as lutas e querelas. com o soldado ilírico Diocleciano (284-305) surgirá um reinado longo. Para disciplinar a sucessão imperial, instituiu o sistema da tetrarquia: dois imperadores (os dois augustos) e dois césares, que deveriam suceder aos primeiros. Outras reformas foram empreendidas por Diocleciano: novo sistema fiscal, reordenamento das províncias com fins militares e tributários, aumentos dos efetivos militares e uma nova hierarquização administrativa, entre outras. O imperador foi divinizado como nunca antes o fora, empreendendo duríssimas e sangrentas perseguições aos Cristãos. Mas não demorou muito a este credo monoteísta oriental se impor no mundo romano: em 313, Constantino (306-337), no Édito de Milão, promulgou a liberdade de culto para o Cristianismo e sua paridade com o paganismo, para além de uma série de privilégios e da possibilidade de ereção de templos próprios. O Império era uma realidade bicéfala, com duas sedes, uma em Roma, no Ocidente, latina, e outra em Constantinopla (inaugurada em 330 como uma "Nova Roma"), no Oriente, grega, criando duas matrizes culturais que marcariam a civilização cristã e europeia até à atualidade.
O século IV foi no entanto a antecâmara da queda do Império Romano que se verificaria na centúria seguinte. A aristocracia refugiou-se nas suas villas fortificadas, alienada do poder e das legiões. A ameaça dos "bárbaros" era uma constante e não raro atingia o interior do Império. Apesar dos esforços legislativos constantinianos, não houve seguimento ao seu trabalho, com revoltas internas no Ocidente e invasões germânicas à mistura. O Oriente estabilizava e florescia e afastava-se cada vez mais de Roma. Houve lugar ainda a um retorno ao paganismo com Juliano, o Apóstata (355-363), que foi vítima dos anticorpos que criou e principalmente do eterno problema oriental, personificado quase sempre nos Persas. Os imperadores sucessivos envolveram-se todos em constantes e irresolúveis guerras com os "bárbaros", chegando alguns a serem mortos por estes (como Valente, em 378). Depois veio Teodósio, imperador do Oriente (374-395) e imperador único em 394-95, o último que impôs alguma estabilidade política, militar e até religiosa. Em 391-92, promulgou em Constantinopla o Cristianismo como religião de Estado. Com acordos com os "bárbaros", conseguiu aplacar durante vários anos as surtidas destes. Mas em 395 morreu e a unidade imperial ruiu definitivamente, anunciando-se um fim próximo no Ocidente, que foi sendo adiado por uma série de imperadores sem força política e militar e muitos deles "fantoches", por vezes dos "bárbaros" mesmo e sempre dependendo do Oriente. Duas realidades políticas, militares e burocráticas distintas, apesar de se manter o ideal da unidade, impossível já.
O Ocidente encolhia-se, os "bárbaros" instalavam-se no Império e muitos dos seus eram mesmo generais (como Recimero, entre 461 e 472, por exemplo) ao serviço de Roma, à frente de legiões de mercenários nem sempre fiáveis. Os saques de Roma sucediam-se, com a Cidade a perder esplendor e mergulhada no medo. As províncias estavam à mercê da voracidade germânica. As questões palacianas marcavam o quotidiano do Império, desgovernado e com o limes sempre ameaçado. Ironicamente, o último imperador romano teve o nome do fundador de Roma, Rómulo, e o do primeiro imperador (ainda que em forma diminutiva, mas zombeteira), Augústulo (Augustozinho, em tradução livre). Em 476, Odoacro, rei "bárbaro", saqueava Roma e calmamente depôs e encaminhou aquele imperador, ainda adolescente, e sua mãe para um exílio dourado no sul de Itália. O Império Romano (do Ocidente) acabava, mas a Oriente resplandecia e abria caminho ao refulgente mundo bizantino, de matriz grega e cristã.
Império Romano. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.

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O Império Romano em 210 d.C.
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Octávio César Augusto, o 1º Imperador Romano na estátua da Prima Porta

Tesouros perdidos do mundo antigo - Roma Antiga